O governo de São Paulo anunciou nesta quinta (5) não ter mais definição sobre a data de início da vacinação de adolescentes.

A imunização da faixa etária de 12 a 17 anos começaria no próximo dia 18. O governo paulista disse que a data está em aberto depois de o Ministério da Saúde reduzir a quantidade de doses da Pfizer enviadas ao estado.

O governo João Doria (PSDB) também anunciou que vai entrar na Justiça contra a redução de doses recebidas. Os detalhes da ação judicial e a qual esfera vai recorrer não foram informados.

O governo de São Paulo e a Secretaria de Saúde de SP acusam o governo federal de enviar 50% a menos de doses da Pfizer. O estado recebeu 228 mil doses do imunizante nesta semana, quando esperava que chegassem 456 mil.

“São Paulo tem 22% da população do país e, em todas as entregas de vacinas, recebeu quantitativo proporcional. Ou seja, cerca de 20% dos imunizantes distribuídos. Por isso, nos surpreendeu só termos recebido 10% dessa vez. Essa decisão do Ministério da Saúde prejudica a vacinação dos adolescentes”, disse Eduardo Ribeiro, secretário executivo da Secretaria Estadual de Saúde.

Em um ofício encaminhado ao Ministério da Saúde na quarta (4), o governo paulista requereu o envio complementar de doses da vacina Pfizer em até 24 horas. Segundo Jean Gorinchteyn, secretário estadual de Saúde, até o fim da manhã desta quinta (5) não tinham recebido resposta.

Gorinchteyn explicou que não há risco de desabastecimento para aqueles que tomaram a primeira dose da vacina há três meses, mas que o cronograma para imunizar adolescentes de 12 a 17 anos poderá ser afetado.

O grupo só pode tomar a vacina da Pfizer, a única autorizada para esta faixa etária pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Os outros imunizantes usados no Brasil (Coronavac, AstraZeneca e Janssen) podem ser aplicados apenas em maiores de 18 anos.

São Paulo pretendia iniciar em 18 de agosto a vacinação de adolescentes com comorbidades, deficiências, gestantes e puérperas. O grupo é de risco para a Covid-19, mas não foi incluído na prioridade para receber a vacina.

“A proteção de jovens vulneráveis à doença está em risco. Sem a garantia dessas doses, frustramos a expectativa pais e mães que há tento tempo aguardam para vacinar e proteger seus filhos”, disse o secretário.

A partir de 30 de agosto estava prevista a vacinação do público geral de 12 a 17 anos.

São Paulo está com sua vacinação de adultos avançada, com quase 80% deles tendo tomado ao menos uma dose e 30%, duas inoculações.

“Nosso posicionamento em relação a essa afirmação [de que São Paulo teria recebido mais doses anteriormente] é de repúdio. É uma insinuação que questiona a credibilidade do estado. Nós recebemos as doses do Ministério da Saúde com base nas diretrizes estabelecidas pelo próprio ministério”, disse Ribeiro.

Na quarta, o governador João Doria (PSDB) acusou o governo Jair Bolsonaro de “maldade adicional” com São Paulo. O presidente é rival político do tucano, e sempre que pode ataca o programa estadual de vacinação e a Coronavac, imunizante chinês trazido por Doria para produção no Instituto Butantan.

Para Doria, há boicote e arbitrariedade do governo federal no episódio. O tucano disputa as prévias do PSDB para decidir quem será o candidato do partido a presidente no ano que vem.

A ação se insere num momento de alta tensão entre Bolsonaro e o Judiciário. O Supremo o incluiu na investigação do inquérito das fake news devido à live na qual questionou o sistema eleitoral, afirmando sem provas que há fraude nas urnas eletrônicas.

Além disso, o Tribunal Superior Eleitoral abriu inquérito administrativo sobre o mesmo tema. Ambas as ações podem, ao fim, gerar sua inegibilidade em 2022.

Bolsonaro reagiu com agressividade e, na noite de quarta, afirmou que poderia usar “armas” fora das “quatro linhas da Constituição” porque o inquérito no Supremo seria ilegal.

Fonte folha.uol.com.br/equilibrioesaude

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