Saúde global: Prioridades do milênio e seus desafios

A Saúde global em 2000, os Estados-Membros da ONU estabeleceram os Objetivos do Desenvolvimento do Milênio a serem cumpridos até o ano de 2015. São oito objetivos, 18 metas e 48 indicadores técnicos para medir o progresso em direção a estes objetivos.

As diretrizes foram determinadas, entretanto nota-se que as metas para atingir os objetivos do milênio ainda estão aquém de serem atingidas. Desta forma, a questão que nos perdura é: Por que a realidade nos apresenta um quadro em que muitas dessas barreiras ainda não foram ultrapassadas? Esses ideais são possíveis de serem concretizados na prática?

Lívia Castro Crivellenti

“How can we call human beings free and equal in dignity when over a billion of them are struggling to survive on less than one dollar a day, without safe drinking water, and when half of all humanity lacks adequate sanitation”?(Anan, 2000)

A trajetória histórica do século XXI tem nos elucidado um verdadeiro paradoxo frente à saúde global: estão cada vez mais notáveis as descobertas científicas, avanços tecnológicos e desenvolvimento de pesquisas no campo biomédico e, ao mesmo tempo, ainda convivemos com a mácula das inequidades sociais que assolam o cenário da saúde. Estimativas de que 18 milhões de pessoas morrem todo ano de doenças relacionadas com a pobreza, entre outras desigualdades, compõe este lamentável quadro.

Diante deste contexto, emerge a necessidade de melhorar e ampliar a qualidade da prestação dos serviços à saúde, a fim de promover e garantir uma prioridade essencial e um dos principais desafios da saúde global: a equidade em saúde.

Diversos países e organizações internacionais estabeleceram em 2000 os Objetivos do Desenvolvimento do Milênio a serem cumpridos até o ano de 2015. São oito objetivos, 18 metas e 48 indicadores técnicos para medir o progresso em direção a esses objetivos.

Apesar das particularidades de cada região do globo em relação às prioridades de saúde, os objetivos exercem papel importante para o avanço da igualdade na saúde global e apresentam em comum certa capacidade resolutiva de responder as principais causas de morbimortalidade dos países em desenvolvimento.

As diretrizes foram estabelecidas, mas nota-se que as metas para atingir os objetivos do milênio ainda estão aquém de serem atingidas. Desta forma, a questão que nos perdura é: Por que a realidade nos apresenta um quadro em que muitas dessas barreiras ainda não foram ultrapassadas? Esses ideais são possíveis de serem concretizados na prática?

Pode-se destacar como um dos empecilhos notáveis e talvez o elemento crítico para atingir os objetivos do milênio a problemática da dissociação entre a carga da doença entre as populações mais vulneráveis e os esforços financeiros globais concentrados, em sua maioria, em pesquisas em saúde nos problemas dos países desenvolvidos.

Uma explicação plausível para este fato é o argumento de que existem poucos recursos financeiros para investir em tratamentos novos para combater doenças que acometem as populações mais vulneráveis, pois as empresas farmacêuticas não conseguem recuperar os custos do desenvolvimento investido. Pode-se entender que esta lógica prioriza o retorno econômico, em que a saúde, neste caso, é sinônimo de mercadoria. Em parte, no desenvolvimento de medicamentos impera-se uma “base de demanda” e não uma “base de necessidade”. Apesar das doenças que predominantemente afligem os pobres terem um impacto relevante na saúde global elas não geram mercados rentáveis o suficiente para incentivar o investimento privado

Alcançar os objetivos do milênio não será uma tarefa muito fácil. Será fundamental a priorização das condições de saúde das populações marginalizadas, que garantam educação comunitária em saúde, capacitação profissional, diminuição da carga de doenças com base em mudanças estruturais-sociais, alocação adequada dos recursos e prevenção e tratamento de doenças a curto e longo prazo.

Além disso, vale ressaltar que organizar os sistemas de pesquisa em saúde, principalmente nos países em desenvolvimento como o Brasil, com potencial de desenvolver pesquisas básicas e estruturais em temas de interesse global é uma resposta relevante para vencer as barreiras e alcançar os objetivos do milênio. Portanto, centrar na lógica de que os holofotes devem estar totalmente voltados para reforçar e construir sistemas de saúde qualificados como um todo parece ser o caminho para que as metas idealizadas sejam também possíveis na prática e promover o desafio ainda atual, constante: a equidade em saúde.

Para saber mais:
• The UN Millennium Project

– Para citar esse artigo:
Crivellenti LC. Saúde global: Prioridades do milênio e seus desafios. RESC 2014 Dez;1(7):e56.

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