Saúde do Mundo e seu desenvolvimento

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Saúde do mundo

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS) são países que têm aumentado sua importância na geopolítica regional e global melhorando a saúde do mundo. Uma iniciativa destes países foi a criação de um banco internacional de desenvolvimento. Considerando que a saúde é em grande parte determinada por fatores sociais, bancos de desenvolvimento (por exemplo, o Banco Mundial) costumam ter atuação expressiva no fortalecimento de sistemas e programas de saúde, no financiamento de pesquisa científica e tecnológica, e na construção da infraestrutura da saúde. A criação deste novo banco pode significar uma nova fase para a saúde global com a entrada de forma mais estruturada de novos atores e organizações para o esforço de construção de um mundo mais saudável.

João Paulo Souza

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS) constituem um grupo de países que representa mais de três bilhões de pessoas (cerca de 40% da população mundial) e gera aproximadamente 25% do Produto Nacional Bruto* mundial. Os países BRICS têm aumentado progressivamente sua importância na geopolítica regional e global, particularmente após o seu agrupamento formal em uma associação multilateral. Parte da agenda geopolítica dos BRICS é impulsionar reformas no sistema internacional e em seus organismos, como as Nações Unidas e suas agências, incluindo o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e a Organização Mundial da Saúde. A demanda dos países BRICS é por maior participação nas decisões de alto nível das organizações internacionais, que geralmente são bastante influenciadas pelos países ocidentais que venceram a Segunda Guerra Mundial.

Muitas pessoas que vivem nos países BRICS deixaram a pobreza extrema desde o ano 2000, mas seus habitantes ainda sofrem com cerca de 40% da carga global de doenças. Pelos avanços obtidos e por terem ainda importantes desafios internos à frente, os países BRICS têm frequentemente se posicionado na arena global como parceiros no desenvolvimento de países menos desenvolvidos. Este é o caso, por exemplo, da relação do Brasil com diversos países africanos, onde nosso país tem participado de esforços para a construção de infraestrutura e produção de commodities da saúde, como medicamentos genéricos de custo mais acessível. O posicionamento do Brasil nos países africanos não é a de um país meramente doador de recursos: a contribuição brasileira para a infraestrutura social (incluindo aquela do setor saúde) destes países ocorre frequentemente como parte de operações diplomáticas complexas para abertura de mercados consumidores, venda de serviços de construção civil ou como estratégia de compensação por impactos na exploração de minérios ou petróleo. Investimentos na saúde e em outros setores sociais da economia de países menos desenvolvidos são instrumentos da chamada “diplomacia suave”, que busca exercer influência em outros países sem o uso da força e intimidação (a chamada “diplomacia dura”).

Uma recente iniciativa dos países BRICS foi a criação de um banco internacional de desenvolvimento. Este Banco será sediado na China e cada um dos cinco países contribuirá igualmente para a formação de um fundo de investimento que totaliza US$ 50 bilhões. Considerando que a saúde é em grande parte determinada por fatores sociais, bancos de desenvolvimento (por exemplo, o Banco Mundial) costumam ter atuação expressiva no fortalecimento de sistemas e programas de saúde, no financiamento de pesquisa científica e tecnológica, e na construção da infraestrutura da saúde. Para uma ideia mais clara deste papel, o Banco Mundial aparece em algumas avaliações como um indutor mais poderoso de resultados em saúde que a própria Organização Mundial da Saúde.

Acredita-se que o novo Banco possa realizar investimentos estratégicos no setor saúde uma vez que na Declaração de Fortaleza (que lança o novo Banco) os Chefes de Estado dos países BRICS declararam seu compromisso em tratar de temas sociais em geral e, em particular, a desigualdade de gênero, os direitos das mulheres e assuntos que afetam a população jovem. Esses Chefes de Estado reafirmaram também sua determinação em assegurar a saúde sexual e reprodutiva e os direitos reprodutivos para todos. Em que pese ser esta uma declaração oficial de chefes de Estado, ainda é cedo para saber como as operações do novo banco vão se desenrolar, sendo inclusive mais provável que suas ações sejam focadas no financiamento de obras de infraestrutura, inicialmente nos próprios países membros e possivelmente em países africanos. Seja como for, a criação deste novo banco pode significar uma nova fase para a saúde global com a entrada de forma mais estruturada de novos atores e organizações para o esforço de construção de um mundo mais saudável.

* “Produto Nacional Bruto” = “Produto Interno Bruto” + “Total de rendas recebidas do exterior” – “Total de rendas enviadas ao exterior”

Para saber mais:
• BRICS and Global Health
• BRICS Bank: The New Kid on the Block
• BRICS Declaration Establishing New Development Bank Recognizes Importance of Sexual and Reproductive Health
• Shifting Paradigm: How the BRICS are Reshaping Global Health and Development


Para citar esse artigo:
Souza JP. BRICS, Desenvolvimento e Saúde Global. RESC 2014 Ago;1(3):e21.

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