Médico da família e comunidade: a especialidade da atenção primária

Como é ser médico da família? Medicina de Família e Comunidade é uma especialidade pouco conhecida, mas rica em humanização. O atendimento é feito a todas as pessoas da família através de uma abordagem biopsicossocial. A atuação médica transcende o atendimento do indivíduo e sua família pois deve alcançar a gestão da equipe. Saiba mais sobre a especialidade na editoria da Atenção Primária à Saúde. Nádia Santos Miranda Duarte

Medicina de Família e Comunidade é uma especialidade pouco conhecida apesar de existir há cerca de trinta anos, e contar com pelo menos 20 anos de implementação da Estratégia de Saúde da Família pelo Ministério da Saúde do Brasil.

Conceitualmente, o médico de família atua juntamente a uma equipe composta por enfermeira, auxiliar/técnico de enfermagem, agentes comunitários de saúde e, em algumas equipes, cirurgião-dentista e auxiliar/técnico em saúde bucal. A equipe atende a população adscrita em uma área delimitada, sendo um total de 3000 a 4000 pessoas por equipe, e todas as pessoas daquelas famílias, independente da idade, são atendidas pelo mesmo médico.

A maioria dos médicos de família atua diretamente no SUS, contudo, nos últimos 10 anos, muitos deles também estão em busca de outras formas de atuação, como atendimento em convênios, “homecares”, cargos de gestão como secretário de saúde, preceptoria em residência médica, docência e, mais recentemente, coordenação ou tutoria do programa Mais Médicos e Provab (Programa de valorização da atenção básica).

Médico da família
Médico da família

A essência da especialidade é a abordagem biopsicossocial realizada através do atendimento individual, em grupo e das informações obtidas pelos demais membros da equipe. A consulta médica é centrada na pessoa: não é abordado só o que ela tem, mas o que ela sente. Analisamos não só a hipótese diagnóstica, como também o contexto social e emocional, pois acreditamos que relações interpessoais, familiares ou profissionais estão diretamente relacionados a diversas patologias.

Além da abordagem biopsicossocial, esta especialidade atribui uma função de coordenação. É importante que coordene o cuidado do paciente e da comunidade, bem como a gestão da equipe de saúde. O paciente pode necessitar de seguimento em outras especialidades do setor secundário ou terciário, mas também o fará conosco, pois nós realizamos todo o cuidado continuado. O médico de família deve desenvolver a habilidade de gestão da equipe. Dividir tarefas, delegar funções e estimular motivação nos colegas de trabalho são desafios e, também, a chave para ter melhores resultados no trabalho em equipe.

Ser médico de família e comunidade nos proporciona a alegria de ajudar o paciente, muitas vezes já avaliado por diversas especialidades, mas não abordado de forma integral e longitudinal.

– Para citar esse artigo:
Duarte NSM. Como é ser médico de família? RESC 2014 Dez;1(7):e55.

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