O consórcio de veículos de imprensa —formado por Folha, UOL, O Estado de S. Paulo, O Globo, G1, TV Globo, Globonews e Extra— lança neste domingo (12) a quarta fase da campanha “Vacina Sim”.

O objetivo desta etapa é conscientizar a população sobre a importância de ter a imunização completa contra a Covid-19, que já matou mais de 585 mil pessoas no país. A campanha mira o público jovem, que ainda não tomou a primeira dose, e também aqueles que estão parcialmente imunizados.

São dois focos diferentes porque o Brasil enfrenta disparidade em relação ao público-alvo das campanhas de vacinação. Enquanto há adolescentes sendo imunizados em vários municípios, caso do grupo de 12 a 14 anos na capital paulista, há outras cidades que recentemente estavam vacinando pessoas na faixa dos 30 anos.

Além disso, há o debate entre especialistas e governantes sobre a terceira dose do fármaco no país. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou para a próxima quarta-feira (15) o início da aplicação do reforço vacinal em idosos e em imunossuprimidos.

Há estados e municípios, porém, que já começaram a dar a dose extra. Em São Paulo, o governador João Doria (PSDB) afirma que até 10 de outubro toda a população acima de 60 anos terá recebido o reforço.

O conflito de programas de vacinação fez o Ministério da Saúde divulgar uma nota em que adverte que “não garantirá doses para estados e municípios que adotarem esquemas vacinais diferentes” do definido no Plano Nacional de Imunizações.

A situação é inusitada, já que, no país, mais de 140 milhões de pessoas receberam ao menos uma dose da vacina, o que representa 66% da população, e mais de 70 milhões estão com a imunização completa, cerca de 33% dos brasileiros.

Quem está com as duas doses em dia, aguardando a terceira, é Vilma Victorio do Nascimento, 83. Moradora do Rio de Janeiro, ela diz que conhece muitos que morreram por causa da Covid, inclusive pessoas completamente imunizadas.

As vacinas não garantem 100% de eficácia contra o coronavírus, como já alertaram os cientistas —sua proteção é maior para impedir quadros graves, hospitalizações e mortes, mas a eficiência pode ser menor para a transmissão ou infecção assintomática.

Assim, mesmo pessoas vacinadas podem contrair o vírus, adoecer e até morrer, embora em frequência muito menor do que os não imunizados.

Há quase dois anos vivendo com a filha, dona Vilma afirma que só sai de casa para cuidar da saúde, como para ir ao médico e para fazer exames, por exemplo. Com isso, ela perdeu contato com amigos e familiares, entre eles as outras filhas, os netos e os bisnetos.

“Uma das coisas que me faziam muito bem era o samba. Não estou podendo ir a lugar algum, com medo de pegar o vírus. Pessoas que tomam vacina também pegam, então estou com medo mesmo”, desabafa ela, que participou da nova fase da campanha.

Dona Vilma é categórica ao aconselhar as pessoas a se protegerem. “Isso é essencial para o mundo todo. Precisamos brincar Carnaval, Réveillon, ir aos jogos de futebol, tudo o que a gente precisa pra ter alegria na vida, porque a vida já está muito difícil.”

Com algumas décadas a menos de vida, Kauê dos Santos Vieira, 21, está prestes a completar seu ciclo de imunização. Ele, que também participou da campanha, recebeu a primeira dose em junho e deve tomar a segunda em breve. Entre os familiares, até o irmão mais novo, de 14 anos, já se imunizou.

Vieira recebeu a primeira dose quando estava em um processo seletivo para uma vaga em um hospital de São Paulo, como auxiliar de suprimentos. O emprego acabou não vingando, mas a proteção, sim.

O jovem, que perdeu um primo de 35 anos para a Covid, pede para as pessoas que estão evitando a vacina pensarem no próximo. “Se ama os familiares e amigos, ao menos uma pessoa, que pense no bem dela, e não só em si próprio. Tem que cuidar de quem está do lado, do coletivo.”

Assim como já aconteceu na terceira etapa da campanha “Vacina Sim”, mais de 70 marcas que integram os grupos de comunicação vão divulgar a quarta fase em todo o Brasil. Haverá também um filme para TV e peças para os veículos de rádio, impressos e digitais, além de ações nas redes sociais.

Esta etapa conta com a participação das apresentadoras Astrid Fontenelle e Ana Maria Braga, que ficou duas semanas afastada da televisão após ser infectada pelo coronavírus. “Sou a prova que a vacina não impede de pegar, mas também sou a prova que é importantíssimo se vacinar”, disse, na época. Para atrair a atenção dos jovens, a campanha também terá os atores Rafael Vitti e Juan Paiva.

Iniciativa inédita, o consórcio de veículos de imprensa foi criado em junho de 2020 para acompanhar e divulgar os números da Covid-19 no país depois que Ministério da Saúde tirou dados do ar e ameaçou sonegar informações sobre a situação da pandemia.

Desde então, os veículos se reuniram para divulgar balanços diários de casos e mortes pela Covid. Com o início da vacinação, em janeiro, o consórcio passou a divulgar também dados de imunizados. As informações são coletadas pelas equipes dos veículos diariamente junto às secretarias estaduais de Saúde.

Em janeiro de 2021, o consórcio criou a campanha “Vacina Sim”, para conscientizar a população sobre a importância de se vacinar contra a Covid-19.

Na segunda etapa da campanha, em fevereiro, jornalistas e personalidades ligadas aos veículos do consórcio se reuniram para incentivar a vacinação. A campanha juntou os colunistas da Folha de S.Paulo Drauzio Varella, Juca Kfouri, Luiz Felipe Pondé e Djamila Ribeiro aos atores Lázaro Ramos e Fernanda Montenegro, além do apresentador Serginho Groisman, entre outros.

A terceira fase, em abril, teve como objetivo incentivar a população brasileira a continuar tomando os cuidados necessários —como uso de máscaras e distanciamento social— durante o avanço da vacinação.

Fonte folha.uol.com.br/equilibrioesaude

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