Doenças cardíacas: maneiras eficazes de reduzir seu risco

doenças cardíacas
Se você tem um histórico familiar de doenças cardíacas, provavelmente sabe que seu risco de ter doença cardíaca é maior. Mas quanto maior? A resposta é essencial, porque temos maneiras notavelmente eficazes de reduzir seu risco, uma vez que sabemos quão alto é. Seus genes não precisam ser seu destino.

A história de Susan

Susan tem sentido o coração disparar ultimamente, e ela está preocupada. Ela tem 50 e poucos anos, mais ou menos a idade em que seu pai teve seu primeiro ataque cardíaco. Além disso, sua mãe teve um derrame no início dos anos 60. Com sua história em mente, Susan fez um bom trabalho ao fazer as coisas certas para se manter saudável – ela nunca fumou (como seu pai) e geralmente come bem e permanece ativa.

Mas, ela está se perguntando, isso é suficiente para prevenir doenças cardíacas ou derrame no futuro?

doenças cardíacas

Qual é o risco de doenças cardíacas?

Uma história familiar de doença cardíaca é o mais desafiador dos fatores de risco para avaliar doenças cardíacas. Ao contrário dos outros fatores de risco principais (idade, tabagismo, diabetes, colesterol alto e pressão alta), é difícil medir quanto impacto a história familiar tem sobre o risco de um indivíduo. Sabemos que um histórico familiar de doença cardíaca aumenta seu risco (principalmente se o ataque cardíaco ou derrame ocorreu cedo na vida, geralmente definido como um parente de primeiro grau do sexo masculino <55 anos de idade ou uma mulher <65 anos de idade), mas existe pode ser mais para a história do que apenas “genes ruins”. Pode ser que o membro da família afetado tenha feito más escolhas de saúde (como o pai de Susan é fumante) ou tenha exposições ambientais diferentes das suas.

E a pergunta sobre quanto risco é criticamente importante, porque a quantidade de risco é o principal fator para determinar quão agressivos devemos ser em nossos esforços de prevenção. Uma vez que sabemos que o risco de alguém é alto, temos maneiras muito eficazes de reduzi-lo. O problema é que, muitas vezes com história familiar, as pessoas correm um risco elevado e não têm consciência disso.

Como determinar seu risco

Às vezes, o motivo da história familiar de doença cardíaca é óbvio. Por exemplo, se o colesterol alto estiver presente na família, essa pessoa provavelmente se beneficiará do tratamento agressivo do colesterol alto. Outras vezes, o motivo da história familiar não é tão facilmente explicado pelos fatores de risco tradicionais. A maioria de nós provavelmente conhece alguém, possivelmente com histórico familiar, que teve uma doença cardíaca, embora pareça ser a imagem da saúde.

Nessas situações, precisamos de mais informações para determinar com precisão o risco desse indivíduo. E, na minha prática, obtemos essas informações realizando um estudo de imagem para avaliar quanta doença arterial o paciente possui, seja com um escore de cálcio na TC ou com um ultrassom carotídeo.

O papel desses estudos de imagem, como escore de cálcio por tomografia computadorizada ou ultra-som carotídeo, é esclarecer ainda mais o risco de um indivíduo para futuras doenças cardíacas. A quantidade de doença arterial que um paciente possui é um poderoso preditor de seu risco futuro de doença cardíaca. E quando sabemos que alguém está em alto risco, podemos ser mais agressivos com sua prevenção.

Doenças cardíacas e derrames são surpreendentemente comuns. A pesquisa nos mostrou que 60% dos homens e 56% das mulheres terão um ataque cardíaco, derrame ou insuficiência cardíaca durante a vida. Essa é a má notícia. A boa notícia é que até 80% das doenças cardíacas são evitáveis. Se você tem um histórico familiar de doença cardíaca, converse com seu médico para ver se há maneiras de entender melhor e diminuir seu risco.

Fonte: webmd.com

Saúde do Mundo e seu desenvolvimento

Saúde do mundo

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS) são países que têm aumentado sua importância na geopolítica regional e global melhorando a saúde do mundo. Uma iniciativa destes países foi a criação de um banco internacional de desenvolvimento. Considerando que a saúde é em grande parte determinada por fatores sociais, bancos de desenvolvimento (por exemplo, o Banco Mundial) costumam ter atuação expressiva no fortalecimento de sistemas e programas de saúde, no financiamento de pesquisa científica e tecnológica, e na construção da infraestrutura da saúde. A criação deste novo banco pode significar uma nova fase para a saúde global com a entrada de forma mais estruturada de novos atores e organizações para o esforço de construção de um mundo mais saudável.

João Paulo Souza

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS) constituem um grupo de países que representa mais de três bilhões de pessoas (cerca de 40% da população mundial) e gera aproximadamente 25% do Produto Nacional Bruto* mundial. Os países BRICS têm aumentado progressivamente sua importância na geopolítica regional e global, particularmente após o seu agrupamento formal em uma associação multilateral. Parte da agenda geopolítica dos BRICS é impulsionar reformas no sistema internacional e em seus organismos, como as Nações Unidas e suas agências, incluindo o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e a Organização Mundial da Saúde. A demanda dos países BRICS é por maior participação nas decisões de alto nível das organizações internacionais, que geralmente são bastante influenciadas pelos países ocidentais que venceram a Segunda Guerra Mundial.

Muitas pessoas que vivem nos países BRICS deixaram a pobreza extrema desde o ano 2000, mas seus habitantes ainda sofrem com cerca de 40% da carga global de doenças. Pelos avanços obtidos e por terem ainda importantes desafios internos à frente, os países BRICS têm frequentemente se posicionado na arena global como parceiros no desenvolvimento de países menos desenvolvidos. Este é o caso, por exemplo, da relação do Brasil com diversos países africanos, onde nosso país tem participado de esforços para a construção de infraestrutura e produção de commodities da saúde, como medicamentos genéricos de custo mais acessível. O posicionamento do Brasil nos países africanos não é a de um país meramente doador de recursos: a contribuição brasileira para a infraestrutura social (incluindo aquela do setor saúde) destes países ocorre frequentemente como parte de operações diplomáticas complexas para abertura de mercados consumidores, venda de serviços de construção civil ou como estratégia de compensação por impactos na exploração de minérios ou petróleo. Investimentos na saúde e em outros setores sociais da economia de países menos desenvolvidos são instrumentos da chamada “diplomacia suave”, que busca exercer influência em outros países sem o uso da força e intimidação (a chamada “diplomacia dura”).

Uma recente iniciativa dos países BRICS foi a criação de um banco internacional de desenvolvimento. Este Banco será sediado na China e cada um dos cinco países contribuirá igualmente para a formação de um fundo de investimento que totaliza US$ 50 bilhões. Considerando que a saúde é em grande parte determinada por fatores sociais, bancos de desenvolvimento (por exemplo, o Banco Mundial) costumam ter atuação expressiva no fortalecimento de sistemas e programas de saúde, no financiamento de pesquisa científica e tecnológica, e na construção da infraestrutura da saúde. Para uma ideia mais clara deste papel, o Banco Mundial aparece em algumas avaliações como um indutor mais poderoso de resultados em saúde que a própria Organização Mundial da Saúde.

Acredita-se que o novo Banco possa realizar investimentos estratégicos no setor saúde uma vez que na Declaração de Fortaleza (que lança o novo Banco) os Chefes de Estado dos países BRICS declararam seu compromisso em tratar de temas sociais em geral e, em particular, a desigualdade de gênero, os direitos das mulheres e assuntos que afetam a população jovem. Esses Chefes de Estado reafirmaram também sua determinação em assegurar a saúde sexual e reprodutiva e os direitos reprodutivos para todos. Em que pese ser esta uma declaração oficial de chefes de Estado, ainda é cedo para saber como as operações do novo banco vão se desenrolar, sendo inclusive mais provável que suas ações sejam focadas no financiamento de obras de infraestrutura, inicialmente nos próprios países membros e possivelmente em países africanos. Seja como for, a criação deste novo banco pode significar uma nova fase para a saúde global com a entrada de forma mais estruturada de novos atores e organizações para o esforço de construção de um mundo mais saudável.

* “Produto Nacional Bruto” = “Produto Interno Bruto” + “Total de rendas recebidas do exterior” – “Total de rendas enviadas ao exterior”

Para saber mais:
• BRICS and Global Health
• BRICS Bank: The New Kid on the Block
• BRICS Declaration Establishing New Development Bank Recognizes Importance of Sexual and Reproductive Health
• Shifting Paradigm: How the BRICS are Reshaping Global Health and Development


Para citar esse artigo:
Souza JP. BRICS, Desenvolvimento e Saúde Global. RESC 2014 Ago;1(3):e21.

Avaliação da Saúde: Conceitos da qualidade

Saúde Global

O desenvolvimento da avaliação da saúde caracteriza-se como uma temática contemporânea e pertinente aos pesquisadores, profissionais, gestores e usuários de serviços de saúde concordantes que os serviços a serem prestados devem ter excelente qualidade. Por sua vez, no campo da avaliação em saúde, a discussão acerca de suas abordagens conceituais e metodológicas encontra-se alicerçada em concepções clássicas. Este artigo apresenta algumas contribuições de renomados autores, sobressaindo os aspectos da investigação da qualidade em saúde.

Avedis Donabedian, médico e especialista em Saúde Pública da Universidade de Harvard, elaborou conceitos fundamentais na área de avaliação da qualidade do cuidado médico, por meio da análise de três dimensões: estrutura, processo e resultado. Em sua obra “Promoting quality through evaluating the process of patient care” buscou esclarecer como é complexa a sistematização da avaliação do processo de assistência médica. No cuidado médico há muitos fatores envolvidos, desde o que o paciente reconhece como necessidade ao que os profissionais consideram como demanda de saúde. O uso do serviço, assim como os resultados esperados, dependem de uma série de antecedentes, e envolvem interações de diferentes fatores principalmente no processo assistencial, que influenciarão a qualidade.

Outro importante estudo de Donabedian foi “The seven pillars of quality” [1], no qual o autor apresenta sete atributos a serem analisados na prestação dos serviços de saúde. Os atributos são: a eficácia, ou seja, a capacidade de promover a saúde da melhor maneira possível; a efetividade, que significa o grau de melhoria em saúde proporcionado à população/comunidade alvo do serviço; a eficiência, entendida como o melhor serviço prestado com um menor custo. A otimização, quarto atributo descrito como o melhor resultado obtido com o recurso disponível; a aceitabilidade, que leva em consideração as expectativas dos pacientes frente aos serviços de saúde ofertados; o sexto atributo seria a legitimidade – aceitação do serviço prestado pela população alvo – e; a equidade, atributo de adequar os recursos às especificidades das necessidades individuais. Apesar do artigo ter sido publicado em 1990, os sete pilares da qualidade continuam sendo considerados como padrão ouro no desenvolvimento das avaliações em saúde.

No cenário nacional, o capítulo “Conceitos, abordagens e estratégias para a avaliação em saúde”, escrito pela médica e professora Ligia Maria Vieira da Silva [2], experte em avaliação de políticas de saúde e determinantes sociais da saúde, propõe estratégias e caminhos a serem seguidos pelo avaliador, ao mesmo tempo em que discorre sobre a amplitude e limites de vários conceitos de avaliação em saúde. Apresenta uma definição ampla quando coloca que “a avaliação em saúde é um julgamento sobre uma prática social”, desde as ações do cotidiano até aquelas relacionadas ao trabalho nos seus diversos âmbitos ou sobre qualquer um dos seus componentes, com o objetivo de auxiliar na tomada de decisões. Ademais, referindo-se à Donabedian, descreve os elementos passíveis de análise em estudos de avaliação: estrutura (recursos humanos, materiais e organizacionais), processo (relação entre o usuário e o profissional, relação entre profissional e o gestor), e resultados (exames, consultas médicas, dentre outros).

Em síntese, pode-se concluir que a conceituação da avaliação em saúde, abarcando a qualidade do cuidado, é uma tarefa complexa, que tem sido explorada por diversos autores nacionais e internacionais, entre os quais recomendamos estes clássicos como leituras imprescindíveis ao aprofundamento nos meandros deste tema.

Para saber mais:
• The seven pillars of quality [1]
• SILVA LMV. Conceitos, abordagens e estratégias para a avaliação em saúde. Cap. 1, p. 15-39. In: HARTZ ZMA e SILVA LMV (Orgs.) Avaliação em saúde: dos modelos teóricos à pratica da avaliação de programas e sistemas de saúde. Salvador/Rio de Janeiro: EDUFBA/Fiocruz, 2005. 275 p. [2]
• Avaliação em saúde: dos modelos conceituais à prática na análise da implantação de programas [3]


Para citar esse artigo:
Camargo HPM, Freato Gonçalves AMR, Pinto IC, Forster AC, Ferreira JBB. Conversando sobre Avaliação em Saúde: Conceitos e aspectos da qualidade. RESC 2015 Fev;2(2):e78.

Saúde global: Prioridades do milênio e seus desafios

Saude Global

A Saúde global em 2000, os Estados-Membros da ONU estabeleceram os Objetivos do Desenvolvimento do Milênio a serem cumpridos até o ano de 2015. São oito objetivos, 18 metas e 48 indicadores técnicos para medir o progresso em direção a estes objetivos.

As diretrizes foram determinadas, entretanto nota-se que as metas para atingir os objetivos do milênio ainda estão aquém de serem atingidas. Desta forma, a questão que nos perdura é: Por que a realidade nos apresenta um quadro em que muitas dessas barreiras ainda não foram ultrapassadas? Esses ideais são possíveis de serem concretizados na prática?

Lívia Castro Crivellenti

“How can we call human beings free and equal in dignity when over a billion of them are struggling to survive on less than one dollar a day, without safe drinking water, and when half of all humanity lacks adequate sanitation”?(Anan, 2000)

A trajetória histórica do século XXI tem nos elucidado um verdadeiro paradoxo frente à saúde global: estão cada vez mais notáveis as descobertas científicas, avanços tecnológicos e desenvolvimento de pesquisas no campo biomédico e, ao mesmo tempo, ainda convivemos com a mácula das inequidades sociais que assolam o cenário da saúde. Estimativas de que 18 milhões de pessoas morrem todo ano de doenças relacionadas com a pobreza, entre outras desigualdades, compõe este lamentável quadro.

Diante deste contexto, emerge a necessidade de melhorar e ampliar a qualidade da prestação dos serviços à saúde, a fim de promover e garantir uma prioridade essencial e um dos principais desafios da saúde global: a equidade em saúde.

Diversos países e organizações internacionais estabeleceram em 2000 os Objetivos do Desenvolvimento do Milênio a serem cumpridos até o ano de 2015. São oito objetivos, 18 metas e 48 indicadores técnicos para medir o progresso em direção a esses objetivos.

Apesar das particularidades de cada região do globo em relação às prioridades de saúde, os objetivos exercem papel importante para o avanço da igualdade na saúde global e apresentam em comum certa capacidade resolutiva de responder as principais causas de morbimortalidade dos países em desenvolvimento.

As diretrizes foram estabelecidas, mas nota-se que as metas para atingir os objetivos do milênio ainda estão aquém de serem atingidas. Desta forma, a questão que nos perdura é: Por que a realidade nos apresenta um quadro em que muitas dessas barreiras ainda não foram ultrapassadas? Esses ideais são possíveis de serem concretizados na prática?

Pode-se destacar como um dos empecilhos notáveis e talvez o elemento crítico para atingir os objetivos do milênio a problemática da dissociação entre a carga da doença entre as populações mais vulneráveis e os esforços financeiros globais concentrados, em sua maioria, em pesquisas em saúde nos problemas dos países desenvolvidos.

Uma explicação plausível para este fato é o argumento de que existem poucos recursos financeiros para investir em tratamentos novos para combater doenças que acometem as populações mais vulneráveis, pois as empresas farmacêuticas não conseguem recuperar os custos do desenvolvimento investido. Pode-se entender que esta lógica prioriza o retorno econômico, em que a saúde, neste caso, é sinônimo de mercadoria. Em parte, no desenvolvimento de medicamentos impera-se uma “base de demanda” e não uma “base de necessidade”. Apesar das doenças que predominantemente afligem os pobres terem um impacto relevante na saúde global elas não geram mercados rentáveis o suficiente para incentivar o investimento privado

Alcançar os objetivos do milênio não será uma tarefa muito fácil. Será fundamental a priorização das condições de saúde das populações marginalizadas, que garantam educação comunitária em saúde, capacitação profissional, diminuição da carga de doenças com base em mudanças estruturais-sociais, alocação adequada dos recursos e prevenção e tratamento de doenças a curto e longo prazo.

Além disso, vale ressaltar que organizar os sistemas de pesquisa em saúde, principalmente nos países em desenvolvimento como o Brasil, com potencial de desenvolver pesquisas básicas e estruturais em temas de interesse global é uma resposta relevante para vencer as barreiras e alcançar os objetivos do milênio. Portanto, centrar na lógica de que os holofotes devem estar totalmente voltados para reforçar e construir sistemas de saúde qualificados como um todo parece ser o caminho para que as metas idealizadas sejam também possíveis na prática e promover o desafio ainda atual, constante: a equidade em saúde.

Para saber mais:
• The UN Millennium Project

– Para citar esse artigo:
Crivellenti LC. Saúde global: Prioridades do milênio e seus desafios. RESC 2014 Dez;1(7):e56.