O cenário caótico x saúde mental = potência na resistência

Magna Barboza Damasceno

O primeiro seminário “Saúde da População Negra” (pessoas autodeclaradas pretas e pardas), realizado no Estado de São Paulo em 2004, apontou que as mulheres negras tiveram uma inadequação do atendimento durante seu pré-natal. Além disso, aproximadamente 60% dessas mulheres entraram numa espécie de peregrinação em busca do atendimento — o que evidencia a dificuldade de acesso. 

Segundo o “Atlas da Violência 2019 – Anuário Brasileiro de Segurança Pública”, a cada 100 pessoas assassinadas, 75 são negras; 75,4% das pessoas mortas em intervenções policiais entre 2017 e 2018 eram negras; e as mulheres negras morrem mais de formas mais violentas

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) publicou em 2020 o alarmante crescimento de 11,5%, em 10 anos, dos assassinatos das pessoas negras. O Rio de Janeiro é o quarto estado com maior número de negros no Brasil –mais de 9 milhões, segundo dados da secretaria de saúde do estado contabilizados em 2020.

Esses dados apontam que, de toda a população atendida, as pessoas negras estão entre as 61% acometidas por doenças respiratórias e 64% por causas externas e lesões.

 Ao nos depararmos com os dados do período perinatal, verificamos que 67% das complicações foram em mulheres negras. De todos os atendidos, 62% das pessoas negras possuíam doenças infecciosas e parasitárias; e outras  62 foram atendidas por transtornos mentais.

Como estampou Fernanda Lopes no título do seu texto apresentado no seminário de 2004, “Experiências desiguais ao nascer, viver, adoecer e morrer….”. Para a população negra a desigualdade ao existir é um fato no Brasil, fato este que desde o primeiro seminário sobre a saúde da população negra vem sendo confirmado pelos dados apresentados ao longo dos anos pelo Instituto de Pesquisas e Estatística Aplicada (IPEA). Com o advento desses momentos pandêmicos peculiares, é de se perguntar como manter a saúde mental de uma população que parece historicamente destinada a experiências de nascer, viver, adoecer e morrer de maneira desigual e assustadoramente desumanizada?

Como manter a saúde mental da população negra num cenário como o atual, no qual nos deparamos com um processo de extermínio que nasce nos marcadores sociais que ocupamos, nas interseccionalidade que carregamos, na nossa essência e no nosso existir? Além do grande desafio para cessar o desaparecimento dos nossos corpos pretos e potentes, bem como de manter nossa subjetividade a prova de qualquer tentativa de aniquilamento. 

Esse esforço ainda parece ter importância apenas para uma parte da sociedade, daqueles que vão ao longo do caminho tentando estabelecer a resistência (leia-se aqui estratégias para a sobrevivência) que, numa toada paradoxal, ao mesmo tempo que resistem para o Existir, vão deixando pelo caminho o cuidado com os seus corpos concretos, feitos de carne e osso, veias e artérias, além de não perceber a instalação de algo bem mais perigoso, que é doença e o transtorno mental.

É comum mulheres negras serem naturalizadas como raivosas ou emocionalmente instáveis, sem direito a manifestação sentida e trazida pelo medo constante de não mais existir –e dos seus não mais existirem–, de não ter suas necessidades acolhidas por quem deveria cuidar como cuida de qualquer outro cidadão não-negro, de não ter seu reconhecimento enquanto pessoa legitimado.

Na nossa sociedade, uma mãe branca tem mais direitos e acolhimento ao denunciar a perda de um filho do que uma mãe negra que vê seu filho assassinado injustamente. Basta fazer uma breve pesquisa nos meios de comunicação e nos deparamos como a sociedade reage frente à dor de ambas as perdas.

Às mulheres e homens negros, de forma velada, não lhes é permitido o direito ao sentimento, muito menos a suas manifestações legítimas, mesmo diante de tantas opressões ao resistir para viver.

Faça uma pequena reflexão e revisite momentos em que você, pessoa negra, não pôde ter o direito à palavra, ao sentir, ao agir e até mesmo ao pensar, tendo que calcular meticulosamente quais os próximos passos para não ser taxado de brutal, raivoso, marginal e refém da manifestação da emoção devido ao afeto.

Permanentemente, o descaso perpetuado pelo Estado aos cuidados da saúde da população negra, com a dificuldade do acesso ou o acesso precário a políticas públicas, a descaracterização criada de suas emoções vivenciadas numa sociedade que deslegitima suas experiências e as taxa e nomeia de acordo com o que nos permite sentir ou não. Isso nos toma – pessoas negras –nosso modo de relacionar, de ver o mundo. E nas pequenas coisas vão sendo reafirmadas nas nossas interseccionalidades. Porém, esses efeitos psicossociais do racismo estrutural e sua interface violenta nos obriga a um estado mental permanente de alerta, o que impacta na interpretação por parte de terceiros sobre o nosso viver, e nos coloca em certa medida em um ciclo sem fim entre o gatilho mental gerado pela sobrevivência e a falta de percepção de si e do outro deste processo que gera adoecimento das relações, criando muitas vezes o famoso “cão raivoso”.

Contudo, no absurdo das contradições do nosso estado democrático de direito e no exercício da nossa cidadania integral, as pessoas negras não podem “se dar ao luxo” das doenças mentais, das crises existenciais, das dificuldades nos relacionamentos interpessoais causadas muitas vezes pelas violências produzidas pelo racismo estrutural e que geram desequilíbrios emocionais –nos quais nossa humanidade é constantemente testada.

Sem ter lançado sobre si um julgamento prévio sobre seu modo de adoecimento, as pessoas negras vão adoecendo assim como qualquer outra pessoa –sim e como adoecem!!

Se por um lado esse modo perverso e descompromissado com os afetos da população negra, gerado pela sociedade, reafirma o “grau de superioridade” das pessoas não-negras, dando a elas o “ticket” de quem será permitido sentir, pensar, agir, por outro lado produz na pessoa negra uma forma cruel de aniquilamento de sua subjetividade, pois a deslegitimação das suas emoções, das suas experiências e vivências vai se dando de forma sutil e naturalizada, que muitas vezes desemboca numa emoção pouco elaborada –como a raiva, por exemplo.

Essas questões já muito conhecidas e debatidas nos revelam um impacto devastador em nossa subjetividade. Alguns desses efeitos psicossociais vêm sendo discutidos a partir de categorias do viver –como gosto de referir–, a exemplo das discussões sobre a solidão de mulheres negras, a falta de perspectiva para o futuro, o direito à herança e ao envelhecimento da pessoa negra.

 Aos poucos, vamos nos deparando com reflexões necessárias para a manutenção da qualidade do nosso viver. E é justamente aí que encontramos o conceito ilógico das potencialidades que nascem justamente das injustiças geradas a partir dos marcadores sociais e suas interseccionalidades que nos interpõem.

Porque, ao mesmo tempo que as pessoas negras vão morrendo aos poucos, toda vez que as percepções em torno da sua origem, da sua classe social, da sua cor de pele, da sua orientação sexual chegam à frente de qualquer possibilidade de relacionar-se, elas também constroem e vão tecendo estratégias de resistência, denotando suas potencialidades e organizando o melhor viver. 

Se por um lado pessoas negras todos os dias enfrentam uma batalha por serem quem são, por outro exercitam a tarefa de continuar a ser, burlando toda a lógica posta e contrariando a velha máxima de que apenas recai sobre as pessoas negras a negatividade do existir.

Durante toda a história do povo negro há aqueles que não conseguiram resistir, mas há também aqueles que conseguiram utilizar-se de estratégias de resistência e sobrevivência desde os primórdios da escravidão. Trazendo isso para os tempos atuais, recentemente e durante a pandemia, acompanhamos essas potências de forma bem objetiva.

Verificamos que os estudos sobre a ancestralidade negra vão apontando essas formas de potências, considerando o que os antepassados construíram para que o presente fosse possível e, dessa forma, fortalecendo um futuro.

A pandemia é a prova disso! Apesar de terem sido as pessoas negras as mais atingidas pela Covid-19 em relação aos mortos, segundo o Relatório “Pesquisa Sem Parar”, da organização feminista Sempreviva, sobre o trabalho e a vida das mulheres na pandemia, constatou-se que de modo geral aumentou o número de mulheres que passaram a se responsabilizar pelo cuidado de alguém. Em relação às mulheres negras houve um aumento em 52%. Essa dimensão do cuidado nos remete a uma forma de atenção à saúde mental, já que estão atentas ao monitoramento das necessidades e da companhia umas das outras.

Outro dado curioso é que, apesar do aumento da precariedade da vida, trazida pelo isolamento social e a perda do trabalho formal, houve um aumento de 52% de mulheres negras desempregadas. Essas mulheres que tiveram dificuldade sobre como pagar em dia suas contas e como fazer a manutenção da vida, buscaram outras formas de sobrevivência –e os números evidenciaram que 61% das mulheres que estão na economia solidária, por exemplo, são negras. 

Pesquisas indicam que durante a pandemia as pessoas negras reuniram suas forças para ajudarem sua comunidade, o que demonstra uma alta capacidade criativa, organizando novas soluções para o bem viver, mesmo em um cenário caótico, assustador e desumanizante.

Como podemos constatar, falar da saúde mental da população negra não é uma tarefa fácil, diante de uma realidade que traz dados massacrantes de qualquer subjetividade. Porém, falar de saúde mental também é falar de vida, seja ela nascida da dor de não poder ser e existir, seja ela nascida da potência que é viver as contradições das minorias oprimidas.

Outras formas de potência que já estão aí há muito tempo e devem ser reconhecidas, veneradas e divulgadas, são os trabalhos como os que realizam os coletivos como o Criola –uma organização composta por mulheres negras que há quase 30 anos vem pensando estratégias de defesa e promoção dos direitos das mulheres negras. O instituto AMMA Psique e Negritude, uma organização cuja atuação está pautada no enfrentamento do racismo, da discriminação, do preconceito –que produzem efeitos psicossociais negativos na saúde mental da população negra. Outro bom exemplo é o Fundo Baobá para Equidade Racial, que vem disponibilizando acesso a diversos ciclos de vida da população negra, para o fortalecimento de lideranças com a perspectiva de aumentar a equidade racial.

São organizações formais e informais que nascem de pessoas negras, para pessoas negras e com pessoas negras, a partir da dor do aniquilamento da subjetividade de pessoas negras.

Falar de saúde mental da população negra é também falar deste trampolim para a potencialidade, que gera possibilidade do bem viver.

Pense nisso. 

O que você tem feito para dar qualidade à saúde mental da população negra?

Magna Barboza Damasceno é Mestre em Psicologia Social pela PUC SP, especialista em Gestão pública pela FESPSSP, em Impactos da Violência na Saúde pela (ENSP/FIOCRUZ) e em Gestão da Clínica nas Regiões de Saúde, pelo Instituto Sírio-Libanês, é coordenadora da Rede de Atenção às Pessoas em Situação de Violência Doméstica e Sexual de Suzano (SP). Liderança acelerada pelo Fundo de Equidade Racial Baobá e Ganhadora do prêmio viva promovido na parceria entre o Instituto Avon e a Revista Marie Claire.

Fonte folha.uol.com.br/equilibrioesaude

Sândalo: o que é, para que serve e como usar

O sândalo é uma planta medicinal, da espécie Santalum album, rica em substâncias como alfa-santalol e beta-santalol com propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes, diuréticas, antimicrobianas e antissépticas, sendo, por isso, popularmente muito utilizado como remédio caseiro para infecção urinária, tosse, resfriados ou ansiedade, por exemplo.

A parte normalmente utilizada do sândalo é a casca do caule de onde são extraídos os óleo essenciais com propriedades medicinais para o preparo de inalação, banho de assento ou aromaterapia.

O sândalo pode ser encontrado em lojas de produtos naturais, e deve ser usado com orientação de um médico ou outro profissional de saúde que tenha experiência com o uso de plantas medicinais.

Sândalo: o que é, para que serve e como usar

Para que serve 

Por suas propriedades medicinais, o sândalo normalmente é indicado para:

  • Resfriados;
  • Tosse;
  • Bronquite;
  • Febre;
  • Garganta inflamada;
  • Infecções urinárias;
  • Vaginite;
  • Dor de cabeça;
  • Doenças no fígado;
  • Problemas na vesícula biliar;
  • Pele seca, irritada ou com acne.

Além disso, o óleo essencial de sândalo possui propriedades calmantes e sedativas, além de uma fragrância amadeirada e doce, sendo muito utilizado na aromaterapia para ajudar no tratamento da depressão ou da ansiedade.

Como usar

O sândalo deve ser usado na forma de óleo essencial para uso externo, nunca devendo ser ingerido por via oral, e seu uso não deve ultrapassar 6 semanas.

Algumas formas de usar o óleo essencial de sândalo são:

1. Banho de assento 

O banho de assento com o óleo essencial de sândalo é indicado para ajudar no tratamento da infecção urinária ou vaginite, por exemplo.

Ingredientes

  • 10 gotas de óleo essencial de sândalo;
  • 2 litro de água morna.

Modo de preparo

Adicionar as gotas de óleo essencial de sândalo em uma bacia com a água morna e misturar. Sentar-se nesta água por, aproximadamente, 20 minutos. Repetir esse procedimento diariamente até a diminuição dos sintomas.

2. Inalação com vapor de sândalo 

A inalação com sândalo pode ser feita para aliviar os sintomas de resfriados, tosse ou bronquite e deve ser preparado com o óleo essencial dessa planta medicinal.

Ingredientes

  • 10 gotas do óleo essencial de sândalo;
  • 1 litro de água fervente.

Modo de preparo

Colocar a água fervente numa bacia e adicionar as gotas do óleo essencial de sândalo. Depois cobrir a cabeça e a bacia, inalando o vapor do sândalo com cuidado para não ocorrer queimaduras no rosto. É importante respirar o vapor o mais profundamente possível por até 10 minutos, 1 vez ao dia.

3. Aromaterapia com sândalo

A aromaterapia com sândalo é uma técnica que utiliza o aroma e as partículas liberadas pelo óleo essencial do sândalo para estimular diferentes partes do cérebro, ajudando a aliviar os sintomas de ansiedade, tensão emocional ou depressão, pois tem propriedades calmantes.

Ingredientes

  • 2 ou 3 gotas do óleo essencial de sândalo;
  • aromatizador elétrico ou difusor de ambiente.

Modo de preparo

Colocar as gotas do óleo essencial de sândalo com água no interior de um aromatizador elétrico ou no difusor de ambiente. A quantidade de água utilizada varia de acordo com a capacidade do aromatizador elétrico ou do difusor de ambiente. A nuvem de vapor formado permite liberar o aroma por todo o cômodo.

Outra forma mais econômica ao uso do aromatizador consiste em colocar as gotas do óleo essencial de sândalo numa xícara com água fervente, por exemplo, pois à medida que a água vai evaporando, o aroma é liberado para o ar. Veja outras formas de fazer aromaterapia.

Possíveis efeitos colaterais

Os efeitos colaterais do óleo essencial de sândalo para uso externo ainda não são conhecidos, por isso, o seu uso deve ser feito somente com orientação médica ou de um profissional de saúde com experiência em plantas medicinais.

Quem não deve usar

O sândalo não deve ser usado por mulheres grávidas ou crianças, ou por pessoas com problemas renais. 

Além disso, o óleo essencial não deve ser ingerido por via oral, e seu uso não deve ultrapassar 6 semanas.

Fonte tuasaude.com

Ortodontia: conheça os seus tipos, principais problemas e tratamento

A ortodontia é de longe uma das especialidades mais recorrentes no consultório odontológico. Conheça aqui o que é a ortodontia e quais são os principais tratamentos e problemas que podem ser solucionados por ela: O que é ortodontia? A ortodontia é uma das principais especialidades odontológicas e é a responsável por corrigir o posicionamento dos …

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Por que as doses de reforço da vacina contra Covid não foram alteradas para variantes

Doses de reforço das vacinas contra a Covid-19 podem estar a caminho. Mas, quando chegar a sua vez, você receberá uma dose extra da vacina original, e não uma fórmula atualizada para enfrentar melhor a variante delta, mais contagiosa.

Isso fez alguns especialistas se perguntarem se a campanha para aplicar as doses de reforço seria uma oportunidade perdida para combater a variante delta e suas prováveis cepas descendentes.

“Não queremos fazer frente da melhor forma possível às novas linhagens que provavelmente circularão mais?”, disse Cody Meissner, conselheiro da agência americana Food and Drug Administration (FDA), responsável pela aprovação de vacinas e medicamentos, ao questionar os cientistas da Pfizer recentemente.

“Não compreendo bem por qual motivo não é sobre a delta, pois é isso que estamos enfrentando agora”, disse na semana passada outro conselheiro da FDA, Patrick Moore, da Universidade de Pittsburgh, enquanto especialistas do governo debatiam se estava na hora de autorizar a aplicação de doses de reforço da vacina da Moderna. Ele se questionou se tal mudança seria especialmente útil para impedir infecções leves.

Em setembro, a FDA autorizou a aplicação de doses extras da fórmula original da vacina da Pfizer/BioNTech em alguns casos, depois que estudos mostraram que ela ainda funciona bem contra a delta, e considerando que essas doses poderiam ser distribuídas imediatamente. Agora, a FDA está avaliando o resultado de pesquisas sobre o uso de doses de reforço com as vacinas originais da Moderna e a Janssen, da Johnson & Johnson.

O diretor da FDA sobre vacinas, Peter Marks, ponderou que é mais simples e demanda menos adaptações no processo de fabricação somente trocar a fórmula quando for realmente necessário.

Mas a Pfizer e a Moderna estão fazendo suas apostas. Ambas as farmacêuticas já estão testando doses experimentais personalizadas para combater a delta e outra variante e aprendendo como ajustar rapidamente a fórmula, caso seja necessário fazer uma mudança para as variantes atuais ou para uma nova cepa. A questão mais difícil para os órgãos reguladores responderem é como eles decidiriam se e quando pedir tal mudança.

O que sabemos até agora:

As vacinas atuais funcionam mesmo contra a delta

As vacinas já autorizadas seguem altamente eficazes contra a necessidade de hospitalização e a morte em caso de infecção por Covid-19, mesmo depois que a variante delta se expandiu, mas as autoridades esperam reduzir também manifestações menos graves da doença e proteger as populações mais vulneráveis ao coronavírus. Estudos mostram que uma dose extra das fórmulas originais intensifica a produção dos anticorpos que eliminam a infecção, incluindo os anticorpos que combatem a delta.

Uma dose de reforço específica contra a delta poderia funcionar melhor?

As vacinas têm como alvo a proteína spike que reveste o coronavírus. Mutações nessa proteína tornaram a delta mais contagiosa, mas para o sistema imunológico essa variante não parece tão diferente, disse o virologista Richard Webby, do St. Jude Children’s Research Hospital.

Por isso, não há garantia que uma dose de reforço específica para a delta protegeria melhor, afirmou o imunologista John Wherry, da Universidade da Pensilvânia. Aguardar o resultado de estudos que esclareceriam esse ponto e, se necessário, atualizar a fórmula das vacinas teria atrasado a aplicação de doses de reforço para as pessoas que precisariam delas agora.

Mesmo assim, como a delta é a atual versão dominante do vírus no mundo inteiro, ela será muito provavelmente a ancestral comum da variante que vier em seguida em um mundo majoritariamente ainda não vacinado, disse Trevor Bedford, biólogo e geneticista do Centro de Pesquisa do Câncer Fred Hutchinson. Uma vacina atualizada para a delta ajudaria “a fornecer um tampão contra essas mutações adicionais”, disse.

Empresas já pesquisam alterações na fórmula

As vacinas da Pfizer/BioNTech e da Moderna são feitas com um pedaço de código genético chamado RNA mensageiro (mRNA), que informa ao corpo para produzir cópias inofensivas da proteína spike, para que o sistema imunológico seja treinado para reconhecer o vírus. A atualização da fórmula requer apenas trocar o código genético original com o mRNA de uma proteína spike de uma variante.

Ambas as empresas já testam doses atualizadas contra a variante beta, que surgiu na África do Sul e é a mais resistente às vacinas até o momento, mais do que a delta. Testes em laboratório mostraram que as doses atualizadas produziram anticorpos potentes. Mas a variante beta não se espalhou amplamente pelo mundo.

Agora, as farmacêuticas estão realizando estudos com pessoas totalmente vacinadas que concordaram em testar uma dose de reforço atualizada para combater a delta. As pesquisas da Moderna também incluem algumas vacinas que combinam proteção contra mais de uma versão do coronavírus, de forma parecida às vacinas atuais contra a gripe, que funcionam contra várias cepas do vírus influenza.

As vacinas de mRNA são consideradas as mais fáceis de ajustar, mas outros fabricantes de vacinas também estão testando como mudar suas receitas, se necessário.

Por que estudar o uso de doses atualizadas se elas ainda não são necessárias?

Jacqueline Miller, da Moderna, disse a um painel consultivo da FDA na semana passada que a empresa está estudando doses de reforço atualizadas para as variantes para saber se elas oferecem vantagens, e para estar pronta para produzi-las se for necessário.

Wherry, da Universidade da Pensilvânia, disse que é fundamental analisar cuidadosamente como o corpo reage a doses de reforço atualizadas, porque o sistema imunológico tende a “imprimir” uma memória mais forte da primeira cepa do vírus que ele encontra.

Isso levanta dúvidas sobre se uma dose de reforço sutilmente diferente provocaria um salto temporário nos anticorpos que o corpo produziu antes, ou o objetivo maior, que seria uma resposta mais ampla e mais duradoura que poderia ser mais eficiente contra as próximas variantes que aparecerem.

Ainda não há regras sobre como adotar essa mudança

“Qual é o ponto de inflexão?”, questiona Webby, do St. Jude Children’s Research Hospital, membro de uma rede da Organização Mundial da Saúde que acompanha a evolução da gripe comum. “Muito do que será necessário para tomar essa decisão será aprendido somente por meio da experiência, infelizmente.”

Bedford disse que agora é o momento para decidir qual intensidade na queda da eficácia das vacinas levaria à mudança da fórmula, assim como é feito com as vacinas contra a gripe anualmente.

Isso é importante não apenas para o caso de uma variante muito mais perigosa se desenvolver. Como muitos cientistas, Bedford espera que o coronavírus evolua de uma crise global para uma ameaça regular a cada inverno, o que poderia significar a necessidade de um reforço mais regular, talvez até mesmo anual, em combinação com a vacina contra a gripe.

O tempo entre as aplicações das doses também importa, observou Wherry. “A capacidade de reforço pode ser melhor com intervalos mais longos entre os estímulos”, disse. Embora os cientistas tenham aprendido muito sobre o coronavírus, “a história ainda não terminou e não sabemos o que os últimos capítulos dizem”.

Fonte folha.uol.com.br/equilibrioesaude

O que são os gânglios linfáticos, função e onde ficam

Os gânglios linfáticos são pequenas glândulas pertencentes ao sistema linfático, que estão espalhados pelo corpo e que são responsáveis por filtrar a linfa, recolhendo vírus, bactérias e outros organismos que podem provocar doenças. Uma vez nos gânglios linfáticos, esses micro-organismos são eliminados pelos linfócitos, que são células de defesa importantes do organismo.

Assim, os gânglios linfáticos são essenciais para o sistema imune de cada pessoa, ajudando a evitar ou combater infecções como gripes, amigdalites, otites ou resfriados. Em casos mais raros, a presença frequente de gânglios inflamados pode até ser sinal de câncer, especialmente linfoma ou leucemia.

Embora, na maioria do tempo, os gânglios não possam ser apalpados ou sentidos, quando estão combatendo uma infecção, aumentam de tamanho, ficando inchados e, nesses casos, podem ser sentidos perto da região onde está ocorrendo a infecção. Entenda o que pode levar à inflamação dos gânglios linfáticos.

O que são os gânglios linfáticos, função e onde ficam

Função dos gânglios linfáticos

Os gânglios linfáticos são estruturas em forma de feijão que estão conectadas aos vasos linfáticos e que possuem linfócitos em seu interior, que são células do sistema imune responsáveis por combater infecções e algumas doenças.

A função desses gânglios é filtrar a linfa, que é um líquido que circula dentro desses vasos e que também contém linfócitos, com o objetivo de eliminar substâncias estranhas, como bactérias, vírus ou células cancerosas, que podem afetar o organismo.

Além disso, os gânglios linfáticos também são responsáveis pela maturação e pelo armazenamento dos linfócitos, que neste momento estão prontos para atuar contra infecções.

Onde ficam os gânglios linfáticos

Os gânglios podem ser encontrados individualmente ou em grupo, espalhados por várias regiões do corpo. No entanto, a maior concentração destas glândulas acontece em locais como:

  • Pescoço: estão mais concentrados nas laterais do pescoço, ficando inchados quando existe garganta inflamada ou uma infecção em um dente, por exemplo;
  • Clavícula: geralmente ficam aumentados devido a infecções nos pulmões, mamas ou pescoço;
  • Axilas: quando inflamam podem ser sinal de uma infecção na mão ou no braço ou indicar problemas mais sérios como câncer de mama;
  • Virilha: surgem inflamados quando há uma infecção na perna, no pé ou nos órgãos sexuais.

Quando algum destes grupos de gânglios está tentando combater uma infecção é comum sentir que o local fica dolorido, quente e com pequenos inchaços debaixo da pele.

A maior parte dos gânglios linfáticos inflamados desaparece após 3 ou 4 dias, quando a infecção fica curada, e, por isso, não são sinal de alarme. No entanto, se estiverem aumentados por mais de 1 semana é importante consultar um clínico geral porque podem indicar um problema mais sério, como câncer, que deve ser identificado precocemente e tratado.

Quando ir ao médico

É recomendado ir ao médico quando são percebidas algumas características relacionadas aos gânglios, como:

  • Palpação de um gânglio duro e firme, ou seja, que não se move ao tato;
  • Gânglio maior que 3 cm de diâmetro;
  • Aumento progressivo de tamanho;
  • Aparecimento de gânglio acima da clavícula;
  • Surgimento de outros sintomas, como febre, perda de peso sem causa aparente e cansaço, por exemplo.

É importante ir ao médico para que sejam avaliadas as características dos gânglios para que, caso seja necessário, sejam realizados os exames laboratoriais e de imagem adequados para confirmar o diagnóstico.

Fonte tuasaude.com

União Europeia e EUA vão pressionar G20 por doação de vacinas

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse nesta segunda (18) que a União Europeia e o governo americano vão pressionar os países do G20 a elevarem a doação de vacinas anti-Covid para países mais pobres, para imunizar 70% da população mundial até o final de 2022.

Os líderes de 19 países —entre as maiores economias globais— e da UE se reúnem no final deste mês, em Roma.

Von der Leyen afirmou que a UE já doou 87 milhões de doses até agora ao consórcio Covax, que adquire e distribui fármacos para 144 países, e anunciou a doação de mais 500 milhões no próximo ano.

No mês passado, o presidente americano, Joe Biden, já havia anunciado também a doação de mais 500 milhões de doses, o que elevará a 1 bilhão o número de doses enviadas a outros países.

“Mas outros países também precisam avançar. Trabalho em estreita colaboração com o primeiro-ministro [da Itália, Mario] Draghi e o presidente Biden para reunir os líderes do G20 na cúpula de Roma, na próxima semana, por trás desse objetivo ambicioso: vencer a pandemia global.”

Von der Leyen afirmou que, além das doações, a UE exportou metade das vacinas fabricadas no continente, enviando mais de 1 bilhão de doses a mais de 150 países —entre eles, ela citou Japão, Turquia, Reino Unido, Nova Zelândia, África do Sul e Brasil.

Como lembram os dirigentes da OMS (Organização Mundial da Saúde), a distribuição desigual das vacinas não é só uma preocupação regional ou altruísta: é um fenômeno que pode comprometer o controle da pandemia no mundo todo, incluindo nos países ricos, porque quanto mais o vírus circula descontroladamente, maior é o risco de que surjam variantes mais perigosas e resistentes à vacina.

Em maio deste ano, as nações desenvolvidas —com 15% da população mundial— concentravam quase metade das vacinas disponíveis. Enquanto um terço de seus habitantes havia recebido ao menos uma dose, nas nações pobres a proporção era de apenas 0,2%.

A doação de imunizantes também se tornou uma forma de diplomacia. Além dos EUA que anunciaram o repasse de doses para a comunidade internacional, em junho, o Reino Unido também informou que doaria 100 milhões de imunizantes.

Fonte folha.uol.com.br/equilibrioesaude

7 remédios caseiros para engravidar mais rápido

Alguns remédios caseiros para engravidar mais rápido, como o chá de angélica, o chá de agnocasto ou o suco de laranja, espinafre e aveia, são ricos em fitoesteróis, ácidos graxos e vitaminas que ajudam a melhorar a circulação sanguínea, regular a produção hormonal, além de aumentar a disposição e o desejo sexual, podendo facilitar o processo de engravidar.

Esses remédios caseiros podem ser utilizados na forma de chás ou infusões, no entanto, para aumentar o efeito destas plantas sobre a fertilidade é recomendado consumi-las sob a forma de suplementos, pois têm uma quantidade controlada das substâncias ativas das plantas medicinais, podendo ser utilizados como um complemento de acordo com a orientação do médico, fitoterapeuta ou de um naturopata.

Além disso, o ideal sempre é consultar um especialista em fertilidade para avaliar se existe algum problema de saúde que está causando essa dificuldade e para fazer um plano de tratamento mais orientado, pois os remédios caseiros não substituem o tratamento médico. 

7 remédios caseiros para engravidar mais rápido

Algumas opções de remédios caesiros para engravidar mais rápido são:

1. Chá de agnocasto

O chá de agnocasto, feito com a planta medicinal Vitex agnus-castus,  é uma boa opção de tratamento caseiro para engravidar pois é rico em flavonóides que têm ação sobre os hormônios femininos, sendo principalmente importante para aumentar a produção do hormônio luteinizante (LH), facilitando a ovulação e a produção de óvulos maduros.

Além disso, o agnocasto pode ser usado para auxiliar no tratamento de irregularidades do ciclo menstrual ou ausência de menstruação.

Ingredientes

  • 1 colher de chá de frutos de agnocasto;
  • 300 mL de água.

Modo de preparo

Colocar o agnocasto na água e levar ao fogo por 3 a 4 minutos. Tampar e deixar descansar por 10 minutos. Coar e beber até 2 xícaras por dia.

O chá de agnocasto não deve ser usado por menores de 18 anos, mulheres grávidas ou em amamentação, por mulheres em tratamento de reposição hormonal ou que tomem anticoncepcional oral ou hormônios sexuais

Outra opção é utilizar o agnocasto na forma de cápsulas ou comprimidos. Saiba como tomar as cápsulas ou comprimidos de agnocasto

2. Chá de angélica

O chá de angélica, preparado com a planta medicinal Angelica sinensis (Dong quai), é uma boa opção de remédio caseiro para engravidar mais rápido pois ajuda a melhorar o fluxo sanguíneo para os órgãos reprodutores e melhorar a função dos ovários. 

Além disso, este chá aumenta a vitalidade e o desejo sexual, ajuda a regular a menstruação e a melhorar a fertilidade.

Ingredientes

  • 20 g de raiz de angélica;
  • 800 mL de água fervente.

Modo de preparo

Adicionar a raiz de angélica na água fervente e deixar repousar por 10 minutos. Em seguida, coar e beber 1 xícara cerca de 3 vezes ao dia.

3. Chá de ashwagandha

O chá de ashwagandha, feito com a planta medicinal Withaia somnifera, conhecida popularmente como ginseng indiano, possui vários benefícios para a saúde, incluindo a saúde reprodutiva masculina e feminina, pois ajuda a regular os hormônios, promovendo um melhor funcionamento dos órgãos reprodutivos, além de aumentar o desejo sexual, sendo uma boa opção de remédio caseiro para engravidar mais rápido.

Além disso, a ashwagandha pode ajudar a fortalecer o útero de mulheres que já tiveram aborto.

Ingredientes

  • 1 colher (de chá) de raiz seca de ashwagandha;
  • 120 mL de água fervente. 

Modo de preparo

Adicionar a raiz seca de ashwagandha na água fervente e deixar repousar por 15 minutos. Coar, esperar amornar e beber 1 xícara por dia durante o período máximo de 6 meses.

O chá de ashwagandha não deve ser usado por mulheres grávidas ou em amamentação, por pessoas com doenças autoimunes como artrite reumatoide ou lúpus, ou que tenham úlcera no estômago, pressão alta ou diabetes.

4. Infusão de maca peruana

A infusão de maca peruana feita com o pó preparado a partir da planta medicinal Lepidium meyenii, é rico em fitoesteróis e ácidos graxos, com propriedades estimulantes e tônicas, que ajudam a aumentar a vitalidade, a libido e a energia, melhorando o desempenho e o desejo sexual.

Além disso, as vitaminas e os nutrientes da maca peruana ajudam a nutrir o corpo da mulher para receber uma gestação. Já no homem, o uso desta planta pode estimular a produção de esperma, melhorar a mobilidade dos espermatozoides, assim como prevenir a disfunção erétil.

Ingredientes

  • 1 colher (de sopa) de maca peruana em pó;
  • 500 mL de água morna.

Modo de preparo

Ferver a água e aguardar amornar. Adicionar a maca peruana na água morna e misturar. Beber o chá até 3 vezes por dia. 

Veja outras formas de usar a  maca peruana.

5. Chá de shatavari

O chá de shatavari, preparado com a raiz da planta medicinal Asparagus racemosus, além de ser uma planta com efeito afrodisíaco, ajuda a equilibrar a produção de hormônios, regulando a produção de óvulos e espermatozoides de com maior qualidade. Ao mesmo tempo, esta planta também nutre os órgãos reprodutivos, especialmente na mulher.

No homem, a shatavari é um tônico natural e é muitas vezes utilizada na medicina ayurvédica para melhorar a produção de espermatozoides saudáveis.

Ingredientes

  • 1 colher (de chá) de pó da raiz de shatavari;
  • 250 mL de água fervente.

Modo de preparo

Adicionar o pó de shatavari na xícara com água fervente. Misturar, esperar amornar e beber 2 xícaras por dia.

6. Chá de saw palmetto

O chá de saw palmetto pode ser usado tanto em mulheres como em homens, porque contém ácidos graxos e fitoestrogênios que promovem o correto funcionamento dos ovários, especialmente em mulheres com síndrome dos ovários policísticos, além de atuar sobre a produção de espermatozoides e a saúde dos testículos, no homem.

Ingredientes

  • 1 colher (de sopa) do pó de saw palmetto;
  • 1 copo de água. 

Modo de preparo

Adicionar o pó de saw palmetto no copo com água e misturar até dissolver o pó completamente. Beber 2 vezes ao dia. 

A chá de saw palmetto não deve ser usado por mulheres grávidas ou em amamentação, e por pessoas com problemas de coagulação no sangue como hemofilia, doenças no fígado como insuficiência hepática ou problemas no pâncreas, como pancreatite, por exemplo. 

7. Suco de laranja, espinafre e aveia

O suco de laranja, espinafre e aveia é rico em vitaminas A, B6 e C, e zinco importantes para melhorar as funções reprodutoras do corpo, tanto para homens como para mulheres. 

Ingredientes

  • 1 xícara (de chá) espinafre picado;
  • 1 laranja;
  • 1 colher (de sopa) de aveia.

Modo de preparo

Lavar o agrião cuidadosamente e espremer as laranjas. Em seguida, colocar os ingredientes no liquidificador ou na centrífuga para que sejam reduzidos a suco. Beber em seguida.

Como aumentar o efeito das plantas

Para aumentar o efeito destas plantas sobre a fertilidade é recomendado consumi-las sob a forma de suplementos, pois contém quantidades mais controladas das substâncias ativas das plantas medicinais, sendo importante consultar um fitoterapeuta ou outro naturopata com conhecimento em fitoterapia para adequar a posologia de forma individualizada.

Além disso, para aumentar as chances de engravidar, também é importante estar dentro do peso ideal, pois estar acima ou abaixo do peso ideal pode ter efeito sobre a ovulação e a menstruação, influenciando a fertilidade. Por isso, é recomendada fazer uma alimentação equilibrada, rica em legumes e frutas frescas e baixa em gorduras e açúcar.

Assista o vídeo seguinte e saiba os melhores alimentos para aumentar as chance de engravidar:

Fonte tuasaude.com

Sem a contenção do coronavírus, Carnaval 2022 pode se tornar uma péssima lembrança

No dia 8 de outubro o Brasil atingiu a marca de 600 mil mortes por COVID-19, 590 dias após o primeiro caso reportado. Em média, foram 1.017 mortes por dia, ou 5 voos e meio da ponte aérea RJ-SP caindo diariamente e matando todos os passageiros. Em abril deste ano a média era de 3.000 óbitos por dia.

Agora são em torno de 500. Esse cenário de declínio é otimista, mas o contexto ainda é devastador. Quinhentos óbitos diários são quase 3 voos da ponte aérea caindo todo dia. Mas isso não gera comoção nacional. Parece que parte da sociedade está em estado de coma, impossibilitada de demonstrar empatia.

Ano passado também vimos um cenário de declínio, com média de 320 óbitos na segunda semana de novembro, o que levou muitas cidades a relaxarem, precipitadamente, várias medidas de controle. A introdução de uma nova variante de maior transmissibilidade, acompanhada por medidas que acabaram por facilitar o espalhamento espacial dessa variante, levaram à catástrofe observada no começo deste ano.

Há uma diferença entre o cenário de otimismo de 2020 e o de agora. Em 2020, o Brasil não tinha vacina. Agora, quase 71% da população recebeu uma dose, e 48% já completou o esquema de duas doses. Além disso, a dose de reforço em pessoas com 60 anos ou mais já foi iniciada.

Assim sendo, as cidades podem começar a planejar o Carnaval de 2022?

Não sem antes planejar e implementar uma estratégia que permita o efetivo bloqueio da circulação do vírus. Aqui eu ressalto dois pontos importantes.

Primeiro, para se bloquear a circulação do vírus é preciso saber onde o vírus está. Deste modo, só a testagem em massa permite a identificação e contenção do vírus. E para isso, a melhor opção são os testes rápidos de antígeno que tem menor custo, produzem resultados em poucos minutos, podem ser administrados sem supervisão médica, e detectam infecções com alta carga viral.

Acordos e incentivos para o desenvolvimento e produção local em larga escala desses testes deveriam ter sido uma prioridade desde o ano passado. Em países como Inglaterra e Singapura, por exemplo, esses testes estão disponíveis sem custo.

No Brasil, os testes rápidos de antígeno deveriam estar disponíveis a qualquer pessoa através do SUS, e fazer parte do material de trabalho do agente comunitário de saúde. A ação dos agentes comunitários deveria ser orientada a levar informações atualizadas e confiáveis à população, mas também a contribuir para um esforço de busca ativa, especialmente entre as populações mais vulneráveis.

Sem isso, não há contenção, e o eventual surgimento e espalhamento de uma nova variante que escape da proteção das vacinais poderia levar a repetição do cenário desolador do começo de 2021.

Segundo, é preciso cautela na recomendação de uso da máscara. A vacina protege contra casos graves e óbitos, mas a pessoa pode se infectar, não ter sintomas, e transmitir a doença. Portanto, o uso da máscara protege a pessoa e seus contatos.

Por um lado, o governo deveria fazer esforços para facilitar a distribuição de máscaras de boa qualidade (PFF2) para populações vulneráveis e para os que exercem atividades profissionais em ambientes fechados. Por outro lado, a obrigatoriedade do uso de máscaras em ambientes fechados e em situações de aglomeração em espaços abertos deve ser mantida.

Após 19 meses de pandemia, todos anseiam por liberdade, não por mais restrições. Sem a contenção do vírus a liberdade é ilusória, a perda desnecessária de vidas é uma certeza, e o Carnaval de 2022 pode se tornar uma péssima lembrança.

Se Noel Rosa fosse vivo, já teríamos uma nova marchinha:

Um pierrô infectado

Que acreditou na cloroquina

No carnaval foi internado

E acabou morrendo, acabou morrendo

A colombina entrou na avenida

Ela sambou, sambou, cheia de luz

Gritando: pierrô cacete

Eu tomei vacina, acredito no SUS

Fonte folha.uol.com.br/equilibrioesaude

Ministério da Ciência aposta em spray anti-Covid para mãos à base de nióbio

Uma startup mineira desenvolveu um spray anti-Covid à base de nióbio que, segundo os criadores, pode proteger as mãos por até 24 horas contra o novo coronavírus.

Uma parte do financiamento do projeto foi custeada com recursos da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. Cerca de R$ 500 mil foram recebidos por meio de um edital específico de combate à Covid-19.

Segundo Luiz Carlos Oliveira, sócio da Nanonib e professor do departamento de Química da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), o spray, chamado Innib 41, foi produzido a partir de uma molécula desenvolvida antes da pandemia. Ela tem ação contra vírus e também 18 tipos de bactérias resistentes, ele conta.

O produto já foi submetido para a avaliação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e ainda aguarda parecer. No processo, ao menos quatro reuniões foram feitas com o órgão regulador.

O começo da produção deve ocorrer somente depois da resposta da agência, de acordo com os pesquisadores. Para essa etapa, eles contam com outros investidores, além dos recursos do ministério.

Antes de ser submetido à Anvisa, o spray passou por pesquisa em laboratório e foi testado em 300 pessoas. Oliveira explica que o spray não é tóxico pelo fato de usar baixa concentração de nióbio, minério que é o 41º elemento da tabela periódica .

“Submetemos o produto a uma empresa especializada em testar toxicidade em moléculas novas com metodologia reconhecida internacionalmente. Todos os estudos de segurança e eficácia foram feitos e mostraram que o produto não é tóxico, podendo ser usado também em crianças”, conta o pesquisador.

Segundo Oliveira, o projeto foi pensado para Covid para ajudar principalmente as pessoas que não conseguem higienizar as mãos com muita frequência, como operadores de caixa de supermercado e motoristas de aplicativos.

A remoção, em caso de necessidade, pode ser feita apenas com água —sabão não é essencial para isso, de acordo com o cientista.

A Nanonib é uma startup criada dentro da UFMG pelos professores Oliveira, Jadson Belchior e Cinthia de Castro. A empresa é especializada em produtos à base de nióbio.

Os responsáveis começaram a trabalhar com esse minério pelo fato de o Brasil ser o maior produtor e exportador de nióbio do mundo. “Nós vimos que essa seria uma oportunidade de achar aplicações diferentes para o nióbio”, afirma Oliveira.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é um entusiasta do nióbio. Ele citou o elemento químico antes e durante a campanha eleitoral de 2018. Já eleito, ele também não deixou que fosse esquecido.

Em visita ao Japão em 2019, por exemplo, ele disse que o Brasil aproveita mal o metal, que pode ser usado em gasodutos, turbinas e até em foguetes espaciais e reatores nucleares.

Na semana passada, Bolsonaro participou da abertura da 1ª Feira Nacional do Nióbio, em Campinas (SP), ao lado do ministro Marcos Pontes (Ciência). Na ocasião, o chefe do Executivo destacou a importância do mineral para o país.

Fonte folha.uol.com.br/equilibrioesaude