Anvisa aponta pontos críticos e rejeita pedidos de aval à importação da vacina Sputnik V

Em meio à pressão de governadores para liberação e discussão sobre prazos que chegou à Justiça, a diretoria da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) negou nesta segunda-feira (26), por unanimidade, pedidos de aval à importação excepcional da vacina Sputnik V. O imunizante é desenvolvido pelo Instituto Gamaleya, da Rússia.

A decisão se refere a pedidos feitos por dez estados (Bahia, Acre, Rio Grande do Norte, Maranhão, Mato Grosso, Piauí, Ceará, Sergipe, Pernambuco, Rondônia). O total de doses não foi divulgado.

Além deles, outros quatro estados também pleiteam aval semelhante na agência, mas entraram com pedidos mais tarde. A decisão atual, porém, indica que eles também devem ter entraves.

Segundo diretores e equipe técnica, a falta de dados mínimos e a identificação de pontos críticos entre aqueles apresentados —como falhas no desenvolvimento que trazem incertezas sobre a segurança da vacina— levaram à não aprovação.

Os pedidos dos estados à agência foram feitos no fim de março com base na lei 14.124, que abre espaço para pedidos de autorização excepcional e temporária para importação e distribuição de remédios e vacinas contra a Covid sem registro ou aval no Brasil.

A legislação condiciona o pedido a requisitos, como o fato do produto ter sido aprovado por órgãos regulatórios de outros países, incluindo a Rússia.

A mesma lei prevê prazo de análise que varia de até sete dias úteis a 30 dias —daí o pedido ser analisado nesta segunda (26). Esse último prazo vale para os casos em que o relatório que baseou a aprovação da vacina pela autoridade estrangeira não for apresentado.

Antes da reunião, a Anvisa chegou a solicitar, por meio de recurso ao STF (Supremo Tribunal Federal), a possibilidade de suspender o prazo de análise. O pedido foi negado pelo ministro Ricardo Lewandowski, que analisava ação do governo do Maranhão pela liberação da vacina.

Segundo o diretor Alex Machado Campos, relator da proposta, a falta de apresentação do relatório da agência russa foi um dos fatores que dificultou a aprovação. “A Anvisa notificou todos os estados e abriu caminho para que outros documentos pudessem ser apresentados”, disse ele, frisando que não houve resposta.

A análise nos dados obtidos pela agência sobre a vacina, no entanto, também mostrou problemas.

“Foram observadas falhas de desenvolvimento do produto, que resultam em incertezas quanto à qualidade, segurança e eficácia da vacina, assim como foi verificado que os controles de qualidade são insuficientes”, disse Campos.

A posição foi seguida pelos outros diretores, em reunião que durou mais de cinco horas. O presidente da agência, Antonio Barra Torres, disse que há riscos inaceitáveis e graves à segurança a partir da análise.

Antes da votação, três áreas técnicas da agência já haviam recomendado a não aprovação da importação da vacina, alegando pontos críticos para a liberação.

“Um dos pontos críticos foi a presença de adenovírus replicante na vacina [que é feita com adenovírus que, por meio de modificação, não deveria se replicar]. É uma não-conformidade grave”, disse o gerente-geral de medicamentos da agência, Gustavo Mendes, segundo quem isso pode ter impactos na segurança da vacina.

“O que esperamos de uma vacina de adenovírus vetor é que não tenha vírus replicante [ou seja, capaz de se reproduzir e migrar para órgãos específicos do corpo]. E essa especificação [da empresa produtora] de permitir essa presença não foi justificada”, explica.

Segundo ele, o problema foi encontrado em todos os lotes apresentados da vacina para uma das análises. Ao mesmo tempo, não foram apresentados estudos que garantissem a segurança nesse cenário.

É o caso de estudos clínicos de biodistribuição da vacina, os quais avaliam como a vacina e seus componentes se comportam no organismo humano e em animais.

Também não foram apresentados estudos de toxicidade reprodutiva, que avaliam a possibilidade de os componentes da vacina provocarem reações sobre a fertilidade. Esse tipo de estudo é feito em animais.

Recentemente, esses mesmos impasses já haviam sido apontados em documentos internos da agência elaborados pela equipe técnica e enviados ao STF.

Nos laudos, a agência dizia que não conseguia fazer uma análise de benefício-risco positiva sobre a Sputnik V com base nas informações apresentadas até aquele momento pelos estados e pela empresa União Química, que tem uma parceria com a Rússia e entrou com pedido de uso emergencial da vacina no Brasil, hoje com prazo suspenso.

A posição foi reforçada nesta segunda pela equipe técnica da Anvisa. Mendes disse que a agência detectou falhas e dados faltantes nos estudos de segurança, imunogenicidade e eficácia da vacina.

Ele frisa que a avaliação sanitária pela agência é diferente da avaliação feita por revistas científicas —em referência a dados publicados na revista Lancet, que apontaram eficácia de 91,6% para a vacina a partir de dados preliminares de estudo com 20 mil voluntários.

Segundo o gerente, a análise dos estudos de avaliação de segurança, por exemplo, apontou sérias limitações, em especial no modelo de registro e monitoramento de eventos adversos. “A falta dessas informações impede que sejam identificadas possíveis reações adversas importantes que precisam constar em bula”, afirma.

A verificação do estudo de fase 3 —momento em que foi verificada a eficácia da vacina— também apontou “conclusões limitadas devido a falhas no desenho do estudo”, aponta.

Mendes diz que foram observadas ainda incertezas sobre a qualidade da vacina e o desenvolvimento das doses. Ficaram dúvidas, por exemplo, sobre se o produto feito em escala comercial é comparável ao usado em estudos clínicos e quais os impactos de mudanças no locais de fabricação.

“Percebemos também uma falha no controle de qualidade”, diz. Um exemplo é a falta de informações sobre o controle de possíveis impurezas na vacina.

“A empresa não demonstrou que controla de forma eficiente o processo para evitar outros vírus contaminantes”, diz. “Tudo isso tem um potencial impacto na segurança das pessoas que forem vacinadas.”

Diante da dificuldade de obter dados, a agência fez recentemente uma visita de inspeção à fábricas da vacina na Rússia. A equipe da gerência de fiscalização que foi ao país, porém, não teve a entrada autorizada em todas as plantas de produção, como o Instituto Gamaleya, nem teve acesso a dados suficientes para recomendar a aprovação.

A gerência de monitoramento de produtos sujeitos à vigilância também não recomendou o aval. Segundo a responsável pela área, Suzie Gomes, a ausência de controle de impurezas e a presença de vetor viral replicante traz risco de aumento de eventos adversos.

“O próprio desenvolvedor apresentou informações que não asseguram o controle da replicação do vírus ou comprovam o controle de contaminantes no produto acabado”, diz.

Ao votar sobre o pedido, diretores frisaram ainda que a maioria dos países que já aprovaram o imunizante não tem tradição regulatória e não deram dados sobre a vacina (com exceção da Argentina). Parte também disse que a vacina ainda não estava em uso.

A diretora Meiruze Freitas disse reconhecer a pressa dos estados em obter vacinas, mas frisou a falta de informações, o “cenário de pouca transparência” e notícias internacionais que apontam preocupação de outros países sobre a segurança como justificativas para a negativa.

“Questiono se a Anvisa pode se omitir frente às incertezas de segurança e eficácia. Devemos agir só como despachante aduaneiro?”, questionou. “O que a agência vem exigindo é o mínimo para garantir a segurança. Não são informações burocráticas.”

“A presença de adenovírus replicantes pode levar desde a infecções variadas, até exarcebação de resposta imunológica. Não temos informações sobre esse tipo da controle da Sputnik V”, disse a diretora Cristiane Jourdan.

A negativa da Anvisa ocorre em um contexto que, nos últimos meses, vinha sendo marcado por pressão e intenso lobby político pela aprovação da vacina. O pedido de liberação vinha sendo reforçado por membros da União Química, parlamentares e governadores, que alegavam que a Sputnik já era usada em mais países.

Esse é segundo pedido excepcional de importação de vacinas contra a Covid negado pela agência. Antes da Sputnik, a agência negou pedido do Ministério da Saúde para a vacina Covaxin, da Índia, também alegando falta de dados mínimos.

Por outro lado, a agência já aprovou cinco pedidos de uso emergencial ou registro de imunizantes contra a Covid. Estão na lista a Coronavac (Butantan e Sinovac), Covishield (produzida pela AstraZeneca por meio do Serum Institute, da Índia), Covishield (pela Fiocruz) e vacinas da Pfizer e Janssen.

Fonte folha.uol.com.br/equilibrioesaude

Infecção renal: sintomas, causas e tratamento

A infecção renal ou pielonefrite corresponde à uma infecção no trato urinário em que o agente causador consegue chegar aos rins e provocar sua inflamação, levando ao surgimento de sintomas como cólica renal, urina com mau cheiro, febre e dor ao urinar, por exemplo.

Esse tipo de infecção pode ser causada por bactérias, como a Escherichia coli (E. Coli), assim como por fungos da espécie Candida, e até mesmo por vírus. Normalmente, a infecção renal é consequência de uma infecção na bexiga que se prolonga por mais tempo e que faz com que os micro-organismos causadores da infecção consigam alcançar os rins, causando a inflamação. No caso da infecção renal crônica, além da infecção por micro-organismo, a presença de lesões nos órgãos urinários ou de pedras nos rins também podem causar o aparecimento da infecção no rim. 

A infecção renal deve ser diagnosticada e tratada logo que descoberta, para evitar lesões graves nos rins ou provocar septicemia, em que o micro-organismo consegue chegar na corrente sanguínea e ir para diferentes partes do corpo, causando infecção e podendo colocar a vida da pessoa em risco. Entenda o que é septicemia.

Infecção renal: sintomas, causas e tratamento

Principais sintomas

Os sintomas da infecção renal podem surgir de forma repentina e intensa, desaparecendo ao fim de alguns dias (infecção renal aguda), ou não apresentar sinais e sintomas, sendo a infecção desenvolvida ao longo do tempo e, caso não tratada, pode evoluir para a insuficiência renal (infecção renal crônica). 

Os principais sintomas da infecção renal são:

  • Dor tipo cólica;
  • Dor forte no fundo das costas;
  • Dificuldades ao urinar;
  • Vontade de urinar frequente e em pequenas quantidades;
  • Dor ou ardência a urinar;
  • Urina com mau cheiro;
  • Febre;
  • Calafrios;
  • Náuseas;
  • Vômitos.

Na presença de algum destes sintomas, deve-se consultar o médico urologista ou nefrologista, que fará o diagnóstico da doença através da avaliação dos sintomas. O médico também deverá fazer um exame físico, como palpação e percussão na região lombar, e exame de urina para verificar a presença de sangue ou de células brancas no sangue. Veja como é feito o exame de urina.

Infecção renal da gravidez

A infecção renal na gravidez é bastante comum e é normalmente consequência de uma infecção prolongada na bexiga. 

Na gravidez, o aumento dos níveis de hormônios, como a progesterona, leva ao relaxamento do trato urinário, facilitando a entrada de bactérias na bexiga, onde se multiplicam e causam inflamação do órgão. Nos casos em que a infecção não é diagnosticada ou tratada de forma eficaz, os micro-organismos continuam se multiplicando e começam a subir no trato urinário, até atingir os rins e provocar a sua inflamação. 

O tratamento da infecção renal durante a gravidez pode ser feito com antibióticos que não causem danos ao bebê. Saiba como curar a infecção urinária na gravidez.

Possíveis causas 

A causa mais comum de infecção renal ocorre devido a infecção pela bactéria Escherichia coli, que vive no intestino, e que pode ser transferida da região anal para os órgãos genitais quando a pessoa não faz uma higiene adequada após eliminar as fezes ou após o contato íntimo. Essa bactéria entra no trato urinário através da uretra, que é o tubo que transporta a urina para fora do corpo, podendo se multiplicar, atingir a bexiga e subir para os rins.

Outras bactérias de infecções em outras partes do corpo também podem se espalhar pela corrente sanguínea e atingir os rins, provocando a infecção renal, principalmente em pessoas com infecções em alguma articulação artificial, prótese ou válvula cardíaca, por exemplo.

A infecção renal também pode ser causada pelo fungo Candida albicans que faz parte da flora bacteriana normal vaginal e que quando ocorre um descontrole da flora, esse fungo pode se multiplicar e entrar na uretra, subindo até os rins.

Além disso, alguns fatores como problemas renais, pedra nos rins, diabetes ou sistema imunológico enfraquecido, podem aumentar o risco de desenvolver infecção renal.

Como é feito o tratamento

O tratamento da infecção renal vai depender da causa da infecção e se é aguda ou crônica. Nos casos em que a infecção é provocada por bactérias, o tratamento consiste no uso de antibióticos, por um período que pode variar de 10 a 14 dias dependendo da orientação médica. Alguns analgésicos ou anti-inflamatórios também são indicados para aliviar a dor. 

O tratamento mais eficaz para as infecções renais crônicas consiste na eliminação das suas causas. Alguns medicamentos para infecção renal, como os antibióticos, também podem ser usados no tratamento da infecção renal crônica, se existirem sinais de infecção por bactérias. 

Durante o tratamento da infecção renal, a ingestão de grandes quantidades de água é importante para facilitar a cura da doença.

Fonte tuasaude.com

Brasil ultrapassa 390 mil óbitos por Covid neste domingo

O Brasil registrou 1.316 mortes pela Covid e 32.000 novos casos da doença neste domingo (25), dia da semana em que costuma ter números menores devido ao plantão nas secretarias de Saúde dos estado. Com isso, o país chega a 390.925 óbitos por coronavírus e a 14.339.312 pessoas infectadas desde o início da pandemia.

Isso significa que, nos primeiros quatro meses desse ano, o número de mortos de todo o ano de 2020 foi ultrapassado e que metade de todas as mortes por Covid no Brasil aconteceram apenas em 2021.

A média móvel de mortes se manteve bastante alta, com 2.498 óbitos por dia. O país completou 40 dias com média móvel de mortes acima de 2.000 e 95 dias acima de 1.000.

A média é um instrumento estatístico usado para suavizar variações de dados que costumam ocorrer em finais de semana e feriados. A média é calculada pela soma de todas as mortes dos últimos sete dias e divisão do resultado por sete.

Os dados do país, coletados até as 20h, são fruto de colaboração entre Folha, UOL, O Estado de S. Paulo, Extra, O Globo e G1 para reunir e divulgar os números relativos à pandemia do novo coronavírus. As informações são coletadas diariamente com as secretarias de Saúde estaduais.

O Brasil bateu o recorde nesta sexta-feira, com 1.744.001 doses aplicadas em um dia. O valor, porém, pode ter sido originado pelo represamento de dados de dias anteriores.

Neste domingo, foram 142.352 vacinas no total, sendo mais segundas doses (79.802) do que primeiras (62.550).

Foram atualizadas as informações repassadas sobre a vacinação contra a Covid-19 por 17 estados.

Já foram aplicadas no total 41.610.974 doses de vacina (29.031.874 da primeira dose e 12.579.100 da segunda dose), de acordo com as informações disponibilizadas pelas secretarias de Saúde.

Com o total de doses aplicadas até o momento, 18% dos brasileiros maiores de 18 anos tomaram a primeira dose e só ,7,7% a segunda.

A iniciativa do consórcio de veículos de imprensa ocorreu em resposta às atitudes do governo Jair Bolsonaro (sem partido), que ameaçou sonegar dados, atrasou boletins sobre a doença e tirou informações do ar, com a interrupção da divulgação dos totais de casos e mortes. Além disso, o governo divulgou dados conflitantes.​​​​​​​​​​​​​​​​​​

Fonte folha.uol.com.br/equilibrioesaude

Técnica criada nos anos 80 deixou vacina mais segura para crianças

Desenvolvida em meados da década de 1980, a vacina contra a bactéria Haemophilus influenzae tipo b (Hib) —uma das que pode causar a meningite— não apenas protegeu contra a doença, como deu à comunidade científica uma importante descoberta. O imunizante foi o primeiro a comprovar a eficácia na técnica de conjugação de um polissacarídeo (açúcar) a uma proteína.

Os responsáveis pelo feito foram o pediatra norte-americano John B. Robbins (1932-2019) e a pesquisadora polonesa Rachel Schneerson, 88. A dupla trabalhava no Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH, na sigla em inglês).

Àquela altura, a meningite por Haemophilus tipo b matava cerca de 400 mil crianças por ano, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde).

Até os anos 1980, imunizantes contra doenças bacterianas eram frequentemente feitos da bactéria inteira ou de suas toxinas, que precisavam ser enfraquecidas, o que poderia levar a quadros de febres altas e convulsões. No pior dos cenários, se uma bactéria restasse viva, a criança poderia morrer.

A geração seguinte de vacinas, feita apenas dos polissacarídeos encontrados na superfície bacteriana, era mais segura, mas raramente tinha eficácia em crianças menores de dois anos, as principais vítimas da meningite. Já a vacina de Robbins e Schneerson, licenciada em 1989, protegia até bebês de dois meses.

A solução encontrada por eles, de anexar proteínas aos polissacarídeos nas cápsulas das bactérias, fazia com que a vacina fosse muito mais visível para o sistema imunológico imaturo dos bebês, que passava a montar respostas eficazes contra a bactéria.

Segundo estimativas, o imunizante já salvou sete milhões de vidas desde que foi implantado, e hoje é aplicado em mais de 180 países. Nos Estados Unidos, há, anualmente, um caso de meningite por Haemophilus tipo b a cada milhão de crianças menores de 5 anos.

Pediatras que trabalharam nos anos anteriores à vacina lembram da angústia ao ver, pelo microscópio, a bactéria Hib no fluido espinhal de bebês. Significava que, mesmo com antibiótico, a criança corria risco de dano cerebral permanente, surdez e morte.

Tanto Robbins quanto Schneerson não enriqueceram após a descoberta.

“Tínhamos uma noção —talvez errada— de que aquilo foi feito usando dinheiro público e, portanto, deveria ser gratuito para a população”, disse a polonesa em entrevista ao jornal The New York Times em 2019, na ocasião da morte de Robbins. “Errada porque, logo depois, outra pessoa fez uma pequena modificação e solicitou uma patente da vacina”, explicou.

Mas o reconhecimento pela descoberta veio com uma extensa lista de premiações para a dupla. A última, concedida em 2017, foi o Prêmio Príncipe Mahidol, da família real tailandesa, na área de saúde pública.

No Brasil, o imunizante faz parte do calendário nacional de vacinação infantil desde agosto de 1999. É oferecido pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Com The New York Times

Fonte folha.uol.com.br/equilibrioesaude

Cresce rejeição à vacina de Oxford, e secretaria da Saúde emite comunicado para defender imunizante

A ocorrência de efeitos colaterais ainda que extremamente raros— e o intervalo maior entre as doses da vacina de Oxford/AstraZeneca, de três meses, têm aumentado a recusa dessa vacina pelos brasileiros.

Diante disso, o Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo (CVE) e a Coordenadoria de Controle de Doenças, ambos ligados à Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, emitiram uma nota técnica na noite da última quinta-feira (22) endossando os benefícios da vacina na proteção contra a Covid-19.

Segundo a nota, os benefícios da vacina da Oxford superam os riscos de quadro de trombose (coágulos) com plaquetopenia (ou trombocitopenia, baixa quantidade de plaquetas no sangue) descritos como possíveis efeitos colaterais desse imunizante.

Na tarde desta sexta-feira (23), o Ministério da Saúde também emitiu uma nota técnica orientando como deve ser a conduta caso esses eventos sejam notificados.

Os casos reportados na Europa e no Reino Unido em março levaram a EMA (Agência Europeia de Medicamentos) a alterar a bula do imunizante para incluir esses eventos adversos raros no início do mês. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) fez o mesmo no Brasil no início deste mês, mesmo com a baixa incidência desses eventos no país.

Mesmo assim, a agência, bem como o comitê de assessoramento de vacinas da OMS (Organização Mundial da Saúde), reforçam que o benefício da vacina supera o risco.

De acordo com as regras do PNI (Programa Nacional de Imunização), não é possível escolher qual vacina tomar. Além da vacina de Oxford/AstraZeneca, produzida em parceria com a Fiocruz no país, o outro imunizante contra a Covid-19 disponível no Brasil é a Coronavac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac e produzida no Instituto Butantan. Ambas são entregues ao Ministério da Saúde, que faz o repasse aos estados e municípios.

Ambos os documentos reiteram o uso da vacina neste momento. Os textos também frisam que, caso seja identificada a ocorrência de síndrome de trombose com trombocitopenia até 28 dias após a primeira dose, não é recomendado que o paciente receba a segunda dose da Oxford/AstraZeneca.

Em comparação com outras vacinas, como a própria Coronavac, a vacina da Oxford apresentou uma alta incidência de efeitos colaterais nos ensaios clínicos (mais de 70% no grupo vacinado), embora nenhum efeito adverso grave tenha sido notado. Efeitos como dor de cabeça, dores no corpo, fadiga, náusea e calafrios podem ocorrer, são esperados e indicam que a vacina está surtindo o efeito desejado, isto é, induzindo uma resposta imune.

Já os eventos de trombose com plaquetopenia são extremamente raros e é necessária ainda uma investigação maior para saber quais são os riscos por trás dos mecanismos. Como eles são graves, qualquer pessoa que apresentar este quadro deve buscar atendimento médico imediato.

Segundo a coordenadora do plano estadual de imunização contra Covid-19 de São Paulo, Regiane de Paula, antes a Coronavac era a vacina utilizada em 9 em cada 10 imunizações no país. Agora, o imunizante de Oxford começou a ser mais aplicado em São Paulo.

“As pessoas comparam os efeitos colaterais das duas porque antes havia maior disponibilidade da Coronavac, mas as duas são igualmente seguras, igualmente benéficas e se vacinar é muito melhor do que não se vacinar.”

Ela também afirma que o Brasil tem tradição na vacinação pública e no monitoramento de efeitos colaterais e lembra que vacinas usadas para outras doenças que não a Covid também têm efeitos colaterais que podem ser desconfortáveis. “Para a vacinação contra a febre amarela em 2017 também foi feita uma vigilância ativa dos efeitos colaterais. Nenhuma vacina ou medicamento é isenta de efeitos adversos”, afirma.

O nome pouco conhecido da farmacêutica também é citado como motivo de receio na população, diante do centenário e conhecido Butantan.

O advogado Humberto Cordeiro de Carvalho, 67, agendou a aplicação da vacina para a última sexta (16) e foi a um posto da Prefeitura de São Paulo para a aplicação da vacina, mas decidiu ir embora ao ser informado que a única opção disponível era o imunizante de Oxford/AstraZeneca.

“Eu ia tomar a primeira dose hoje [16], mas desisti porque é da Oxford”, diz. “Eu já não estou confiante nas vacinas, quanto mais nesta daí”, completou, citando como um dos motivos de sua decisão as notícias que leu sobre a possibilidade de eventos adversos raros do imunizante. Segundo ele, a suspensão da utilização da vacina na Dinamarca foi determinante para tentar se vacinar com a Coronavac em um outro dia.

Após os casos de acidentes vasculares no continente europeu, muitos países decidiram restringir o uso para uma idade mínima de 55 (França) ou 60 anos (Alemanha) ou, se possível, oferecer outra vacina àqueles com menos de 30 anos. A Dinamarca foi o único país a decidir pela suspensão do imunizante.

“Estou com a saúde perfeita. Tenho medo de tomar uma vacina e ter um problema depois. Não gostaria de ter uma sequela”, disse. No entanto, durante os ensaios clínicos da vacina, e mesmo três meses após o início da vacinação no Reino Unido, não foi reportada nenhuma sequela pós-vacina da Oxford, mesmo nos casos em investigação de trombose com trombocitopenia.

No posto de saúde, Carvalho foi informado de que em uma ou duas semanas haveria a opção de se vacinar com a Coronavac. No mesmo local, uma mulher estacionou seu carro e perguntou aos pedestres qual era a marca de vacina aplicada ali. Ao ser informada de que a opção era a da Oxford, ela disse que preferia voltar depois.

No mesmo dia, a aposentada Rosana Colla, 67, decidiu não tomar a vacina em uma UBS na Santa Cecília ao ser informada que a única opção era a da Oxford. Para ela, o que determinou sua decisão foi o fato de não conhecer o nome do instituto que produz a vacina da Oxford no país (Bio-Manguinhos/Fiocruz).

Uma funcionária também disse, sob condição de anonimato, que havia incidência de recusas devido à marca.

No Brasil, foram reportados 22 casos de eventos tromboembólicos pós-vacina da Oxford, dos quais 14 foram classificados como graves e seguem em investigação que busca uma associação de causa e efeito com o imunizante. É importante ressaltar que a ocorrência desses eventos ainda é muito menor em relação à ocorrência de trombose pós-Covid (165 mil casos a cada 1 milhão de pessoas).

A secretaria estadual de Saúde de SP e o Ministério da Saúde reforçam ainda que casos de trombose sem plaquetopenia ou plaquetopenia isolada (sem trombose) não têm qualquer contraindicação para as vacinas da Covid-19.

Para Regiane de Paula, a disponibilidade de mais vacinas de diferentes farmacêuticas será melhor para todos, especialmente para acelerar a vacinação. “As questões estão muito claras: os eventos são raros, as equipes de monitoramento estão atentas e o medo foi causado porque essa vacina não estava disponível antes. É preciso se vacinar com a vacina que estiver disponível no posto”, afirma.

Fonte folha.uol.com.br/equilibrioesaude

Braquiterapia: o que é, quando é indicada e efeitos colaterais

A braquiterapia é um tipo de tratamento contra o câncer que utiliza radiação para reduzir ou eliminar as células cancerígenas.

Enquanto na radioterapia convencional, conhecida também como radioterapia externa, a radiação é aplicada fora do corpo sobre uma área onde o tumor está localizado, podendo afetar células saudáveis, na braquiterapia, a radiação é aplicada através de um implante dentro do corpo.

Por ser mais concentrada no local a tratar, a braquiterapia permite o uso de altas concentrações de radiação sem prejudicar as células saudáveis, o que diminui o risco os efeitos colaterais comuns como cansaço, vermelhidão, ressecamento e irritação na pele ou queda de cabelo, por exemplo.

A braquiterapia é dividida em dois tipos, de acordo com a radiação utilizada: alta taxa de dose de radiação, que é feita por poucos dias, ou uma baixa taxa de dose de radiação, que precisa ser feita por um período maior de tratamento.

Braquiterapia: o que é, quando é indicada e efeitos colaterais

Quando é indicada

A braquiterapia geralmente está indicada para o tratamento de:

  • Câncer cervical;
  • Câncer do endométrio;
  • Câncer de próstata;
  • Câncer de mama.

Outros tipos de câncer, como o de glande peniana, câncer anal ou de cabeça e pescoço também podem ter bons resultados com a braquiterapia. É importante reforçar que a escolha sobre o tipo de tratamento a ser realizado deve sempre ser feita em conjunto, entre o médico e a pessoa.

A braquiterapia pode ser usada com 3 objetivos diferentes: para tratar um câncer de fase inicial, podendo ser associado ou não à quimioterapia; como tratamento auxiliar, para reduzir as chances de reaparecimento do tumor após cirurgia; ou para aliviar o desconforto em casos de câncer mais avançado ou com metástase.

Como é feita a braquiterapia

Para fazer a braquiterapia são necessárias 4 etapas:

  1. Consulta médica: serve para avaliar o estado geral de saúde, com análise ou pedido de exames de sangue, exames de diagnóstico e avaliação do estado físico;
  2. Colocação do implante: existem diferentes tipos de implantes que são chamados de sementes, fitas, fios, agulhas ou cápsulas e eles podem ser fixados próximo ou dentro do tumor. Os implantes podem ser temporários, sendo retirados após alguns minutos ou dias após a braquiterapia, ou permanentes. Normalmente, a colocação é realizada no hospital e pode ser necessário o uso de anestesia geral ou local, para evitar desconforto. 
  3. No dia do tratamento: é necessário fazer um jejum de 8 horas antes da terapia. A aplicação da radiação acontece através de um cateter que liga o equipamento de braquiterapia ao implante no local do tratamento. Depois de o médico posicionar o cateter, aplica-se o tratamento e uma equipe observa à distância. Durante a braquiterapia, podem surgir alguns efeitos como sono, fraqueza ou enjoo, que normalmente são temporários.
  4. Final do tratamento: após a sessão de braquiterapia, o médico encaminha a pessoa a outro espaço para observação e para realizar uma pequena refeição, tendo alta em seguida. 

A braquiterapia normalmente é feita em consultório médico e a frequência das sessões pode ser de 1 a 2 vezes por semana, devendo ser avaliada pela equipe médica. O tipo de implante, o tempo de uso e o local a ser implantado, dependem do tipo de terapia, da localização e do tipo de tumor.

Vantagens e desvantagens

A braquiterapia é um tratamento seguro onde é possível aplicar altas doses de radiação diretamente no tumor, em poucos dias, aumentando a eficácia do tratamento e o controle do crescimento do tumor. Além disso, a braquiterapia diminui os riscos de lesões em tecidos e células saudáveis, diminuindo os efeitos colaterais como cansaço, vermelhidão, coceira ou ressecamento na pele, queda de cabelo e outros, quando comparada com a radioterapia normal.

No entanto, a braquiterapia também possui algumas desvantagens. A colocação do implante deve ser feita em hospital, por precisar de uma pequena cirurgia local. Além disso, o posicionamento inadequado do implante pode levar a uma aplicação de dose de radiação muito baixa ou muito alta, o que pode ser tóxico podendo comprometer o órgão mais próximo ao tumor. 

Possíveis efeitos colaterais

Uma vez que utiliza radiação, a braquiterapia pode ter vários efeitos colaterais, que variam de acordo com a região e o tipo de câncer a tratar.

No câncer no trato urinário ou gastrointestinal, os efeitos colaterais mais comuns são esterilidade, lesão na vagina ou menopausa. 

Quando a braquiterapia é utilizada para tratar câncer de endométrio, os efeitos colaterais geralmente são leves e temporários, como infecção da bexiga , inflamação no reto ou ânus e corrimento vaginal.

Já no tratamento de câncer de mama, o efeito adverso mais comum é o aparecimento de uma cicatriz grossa na pele. No tratamento de câncer de próstata, os possíveis efeitos são a obstrução urinária e dificuldade de ereção.

Fonte tuasaude.com

3 remédios naturais para problemas no fígado

Existem ótimos tratamentos naturais para problemas no fígado que usam algumas ervas ou alimentos que vão desintoxicar, diminuir inflamação e regenerar as células do fígado, sendo uma excelente opção para quem tem problemas hepáticos, como fígado gordo, cirrose ou hepatite, por exemplo.

No entanto, mesmo utilizando estes remédios naturais é muito importante continuar seguindo qualquer tratamento que tenha sido indicado pelo médico, assim como evitar o consumo de álcool, café, chocolates ou refrigerantes. Além disso, deve-se manter uma dieta equilibrada, rica em frutas e legumes, e a prática de exercícios físicos regulares.

Estes remédios podem ainda ser usados por quem quer proteger o fígado, pois ajudam a eliminar as toxinas e regenerar as células, sendo uma ótima forma de evitar doenças. Para isso, deve-se fazer um período detox por cerca de 2 semanas, 2 vezes por ano. 

1. Chá de boldo

3 remédios naturais para problemas no fígado

O boldo é uma das plantas mais importantes para a saúde hepática, pois ajuda no funcionamento da vesícula biliar, liberando mais bile e eliminando o excesso de toxinas no interior das células do fígado. Além disso, esta planta também melhora a digestão, o que acaba por também contribuir para a diminuição do desconforto a nível abdominal.

Ingredientes

  • 1 colher (de sopa) de folhas de boldo secas;
  • 1 xícara de água fervente.

Modo de preparo

Adicionar o boldo à água fervente e depois deixar repousar por 5 a 10 minutos. O chá deve ser coado e bebido 2 a 3 vezes ao dia, de preferência antes das refeições.

2. Infusão de cardo-mariano

3 remédios naturais para problemas no fígado

Um outro tratamento natural para problemas no fígado é tomar o chá de cardo-mariano, que é uma planta com ação anti-inflamatória, antioxidante e depurativo, protegendo as células do fígado.

Ingredientes

  • 1 colher de sopa de folhas de cardo-mariano seco;
  • 1 xícara de água fervente.

Modo de preparo

Adicionar o cardo-mariano à água fervente e depois deixar repousar por 5 minutos. O chá deve ser coado e bebido 3 vezes ao dia. 

Existem também cápsulas de cardo-mariano, vendido em lojas de produtos naturais, que têm ação semelhante ao chá.

3. Comer alcachofra

3 remédios naturais para problemas no fígado

A alcachofra é um ótimo tratamento natural para problemas no fígado, pois este alimento tem ações depurativas, anti-tóxicas e ajuda a regular o colesterol e açúcar do sangue. 

A melhor forma de tomar este alimento é incorporá-lo nas refeições, consumindo-o pelo menos 2 vezes por semana. Nas lojas de produtos naturais também se pode encontrar as suas folhas para realizar infusões ou cápsulas para ingerir e melhorar o estado do fígado.

Veja também quais os sintomas de problemas no fígado e que alimentos deve incluir na sua dieta:

Confira uma lista completa dos principais sintomas que podem indicar problemas no fígado.

Fonte tuasaude.com

Remédios para problemas no fígado

Alguns remédios para o fígado muito utilizados são o Flumazenilo, Naloxone, Zimelidina ou Lítio, principalmente em casos de intoxicação ou como remédios para ressaca. Mas, um excelente remédio caseiro para fígado é comer salada de cenoura crua ralada temperada com limão, pois contém propriedades hepáticas que ajudam a renovar as células do fígado.

Porém, nos casos de problemas com o fígado é importante que o indivíduo consulte um hepatologista, para iniciar o tratamento adequado, já que algumas doenças não necessitam de remédios para serem curadas.

Remédios para problemas no fígado

Remédios para fígado gorduroso

Os remédios para fígado gorduroso nem sempre são necessários e, por isso, o paciente deve consultar um hepatologista para avaliar a necessidade de os tomar. Normalmente esse tipo de alteração pode ser solucionada com uma dieta pobre em gordura e em açúcar, e prática diária de exercícios físicos, mas existem alguns remédios para fígado gordo como:

  • Metformina;
  • Pioglitazona;
  • Pentoxifilina;
  • Adiponectina;
  • Infliximab.

Como na maioria dos casos o fígado gordo é provocado pelo estilo de vida do indivíduo, é recomendado que, para complementar ou substituir os remédios para fígado com gordura, o paciente adote uma dieta com poucas calorias e faça exercício físico regular, além de tratar doenças de base, como diabetes, colesterol ou obesidade.

Remédios para fígado inchado

Os remédios para fígado inchado dependem da causa que está provocando aumento do fígado, sendo que as mais comuns incluem:

  • Hepatite: podem ser usados os remédios Ribavirina, Lamivudina ou Deflazacort;
  • Cirrose hepática: tratada com remédios como Albumina ou Ácido Deidrocolico;
  • Insuficiência cardíaca: utilizados remédios como Furosemida, Aldactone ou Captopril;
  • Colangite: muito utilizado o Decholin.

Apenas um hepatologista poderá diagnosticar a causa do fígado inchado e prescrever o remédio adequando para a idade e sintomas do paciente, e em todo caso, é indicado fazer exercício físico regular, ter uma dieta rica em frutas, hortaliças e verduras e evitar bebidas alcoólicas.

Remédio natural para limpar o fígado

Um excelente remédio natural para figado é a infusão de picão preto, porque possui propriedades que ajudam a regenerar as células deste órgão, sendo eficaz no tratamento de muitos problemas do fígado, como hepatite, diabetes e colesterol.

Ingredientes

  • 12 g de talos e folhas de picão preto
  • 500 ml de água fervente

Modo de preparo

Juntar os ingredientes e deixar repousar por cerca de 10 minutos. Depois coar e beber 3 xícaras de chá por dia entre as refeições.

Fonte tuasaude.com

SUS recebe remédios do ‘kit intubação’ em mandarim, e entidades pedem tradução para evitar riscos

O governo federal recebeu medicamentos do chamado “kit intubação” enviados da China com bulas, rótulos e embalagens em mandarim, e entidades de saúde têm pedido a tradução para o português o mais breve possível.

Como os medicamentos estão sendo distribuídos aos hospitais, os profissionais que os manuseiam podem se confundir e colocar pacientes em risco.

Com a lotação das UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) com doentes de Covid-19, medicamentos como sedativos, neurobloqueadores musculares e analgésicos opioides começaram a escassear ou até mesmo faltar em alguns hospitais.

Um grupo de empresários então doou 2,3 milhões de medicamentos do “kit intubação” vindos da China ao Ministério da Saúde. O primeiro lote chegou na semana passada, uma parte do total de 3,4 milhões que deve chegar ao país até o final do mês. Os medicamentos devem ser usados em 500 leitos pelo período de um mês e meio, segundo informações da Vale, que organizou a doação.

Luis Antonio Diego, diretor de Defesa Profissional da SBA (Sociedade Brasileira de Anestesiologia), afirma que a situação de superlotação das UTIs e a consequente sobrecarga de trabalho dos profissionais de saúde podem elevar os riscos de eventos adversos por erros de medicação.

Assim, quaisquer estratégias que contribuam para minimizar potenciais erros de prescrição, dispensação, preparo e administração devem ser estimuladas, diz.

“Os responsáveis por manusear os medicamentos podem se confundir [com as informações em mandarim]. O efeito adverso que isso pode causar no paciente é grave. O que estamos fazendo é ajudar para que isso não ocorra.”

As orientações foram criadas por uma força-tarefa composta de membros da SBA, da Amib (Associação de Medicina Intensiva Brasileira), da Abramede (Associação Brasileira de Medicina de Emergência), do ISMP-Br (Instituto para Práticas Seguras do Uso de Medicamentos) e da SBRAFH (Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar e Serviços de Saúde).

Além da tradução da bula na íntegra, a força-tarefa faz outros pedidos e orientações. Uma das sugestões ao serviço de farmácia hospitalar é realizar o armazenamento e a identificação desses medicamentos separadamente, para evitar trocas e minimizar potenciais erros em toda a cadeia de abastecimento.

As entidades também enviaram um ofício para o Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), o Conasems (Conselho Nacional de Secretarias municipais de Saúde) e o Ministério da Saúde de como os rótulos deveriam ser colocados para garantir a segurança.

O Conass disse em nota que foi informado de que os medicamentos para intubação doados por empresas brasileiras chegaram ao país com a rotulagem em idioma estrangeiro. “Foram realizadas reuniões com entidades, que, de forma complementar ao trabalho já realizado pelo Ministério da Saúde, elaboraram documentos técnicos, que foram disseminados aos estados.”

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) afirmou que medicamentos doados podem vir em outro idioma. “Compete ao Ministério da Saúde atuar e fazer as discussões da instrução de uso.”

O Ministério da Saúde foi procurado, mas não respondeu aos questionamentos até a publicação deste texto.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse em entrevista coletiva de imprensa na quarta-feira (21) que está prevista a chegada de 1,5 milhão de medicamentos do “kit intubação” até maio, com a primeira remessa desse lote na próxima semana. Uma parte seria doada pela Espanha.

Ele afirmou que atua em diferentes frentes para conseguir mais medicamentos do kit, incluindo um pregão internacional sem fixação de preço para a aquisição de novos insumos. “Temos adotado uma série de ações para aumentar a oferta. Também contamos com o apoio da indústria nacional, OMS/Opas, e com a solidariedade de outros países que farão doações dos insumos ao Brasil.”

Fonte folha.uol.com.br/equilibrioesaude