São Paulo registra queda do número de internados em UTIs pela primeira vez desde fevereiro

O estado de SP registrou pela primeira vez desde fevereiro uma baixa no número de pacientes internados em UTIs por Covid-19. A queda, apesar de ainda mínima, foi celebrada.

FEIXE DE LUZ

No sábado (27), 12.983 pacientes estavam em leitos intensivos. No domingo, 28, o número caiu para 12.916 —uma diferença de 67 pessoas.

LUZ 2

Na segunda (29), houve nova subida, para 12.946. Ainda assim, o número ficou abaixo do total de sábado.

FREIO

A queda vem depois de uma desaceleração constante. No dia 5 de março, quando o governador João Doria (PSDB) anunciou a fase vermelha no estado, as internações subiam à velocidade de 2,8%, e as UTIs lotavam. A velocidade de crescimento de internações chegou a 3,3%. No dia 11, Doria anunciou restrições mais severas, da “fase emergencial”.

FREIO 2

A curva de internações começou a desacelerar, e agora caiu para 0,8%.

SINTOMA

Houve queda pela primeira vez desde fevereiro também no número de pacientes em enfermarias. Na segunda, 2.189 pacientes deram entrada nos hospitais do estado. Ao mesmo tempo, 2.393 receberam alta —uma diferença de 204 pacientes a menos.

SINTOMA 2

A situação é diversa da verificada em 18 de março, o pico do mais grave momento que o estado já atravessou. Naquele dia, 2.918 pacientes deram entrada nas enfermarias de hospitais. E 2.161 receberam alta. Uma diferença, para mais, de 757 pacientes.

SINTOMA 3

O número apontava para um colapso total do sistema caso medidas restritivas não fossem tomadas.

TODO CUIDADO

O alerta, no entanto, segue ligado no nível máximo, e as medidas seguem sendo necessárias. A taxa de ocupação de UTIs estava em 92% na segunda (29).

QUEDA

Caso as medidas sigam surtindo efeito, os técnicos do governo imaginam que SP poderá assistir a uma queda importante no número de internados em UTIs a partir da próxima semana.

QUARENTENA

com BRUNO B. SORAGGI, BIANKA VIEIRA e VICTORIA AZEVEDO

Fonte folha.uol.com.br/equilibrioesaude

Estados alteram ordem do plano nacional de vacinação e priorizam forças de segurança e professores

Apesar do Plano Nacional de Operacionalizações de Vacinação contra a Covid-19 estabelecer uma ordem de imunização do grupo prioritário, alguns estados e o Distrito Federal têm colocado professores e forças de segurança antes de categorias que estariam na frente.

Essas ações vão contra as diretrizes do Ministério da Saúde, segundo o qual os estados não devem pular a ordem de vacinação do grupo prioritário.

Os entes federados, porém, têm autonomia para montar seu próprio esquema de vacinação de acordo com as características de sua população, demandas específicas de cada região e doses disponibilizadas.

“Conforme a campanha de vacinação avance nos estados e municípios, eles podem ampliar a imunização do grupo prioritário desde que sigam a ordem prevista no Plano Nacional de Operacionalizações”, disse a pasta, em nota.

As mudanças que vêm ocorrendo nos estados foi tema da primeira reunião com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), após a criação do comitê nacional contra Covid-19. Governadores cobraram que todos os estados sigam os critérios de vacinação prioritária do plano.

O Ministério da Saúde já entregou às unidades da federação mais de 33,9 milhões de doses da vacina contra o coronavírus, destinadas a trabalhadores de saúde, quilombola e idosos.

No entanto, já há estados vacinando as forças de segurança. Fazem parte do grupo policiais federais, militares, civis e rodoviários, além de bombeiros militares, civis e guardas municipais.

Isso ocorre após forte pressão do setor em razão do aumento de casos de mortes de policiais. Das 18 unidades da federação que responderam, cinco adiantaram a vacinação dessa categoria.

Cada governo estadual tem programado o seu calendário e como vai funcionar essa imunização. Há alguns que também incluíram professores e pessoas com doença crônica renal.

No Pará a vacinação das forças de segurança teve início no dia 20 de março, assim como a imunização dos agentes operacionais das regiões que se encontram em lockdown.

No Distrito Federal a previsão é que a vacinação comece nos próximos dias, em paralelo com a vacinação dos idosos, e sejam reservadas de 10 a 15% das doses para esse grupo.

Em Goiás a previsão também é de começo da vacinação de forças policiais na próxima semana, com reserva de 5% das doses.

Já em São Paulo os professores também terão a vacinação adiantada para o dia 12 de abril. A vacinação dos policiais começa no dia 5 de abril.

No Espírito Santo a estratégia é reservar 5% das doses também para esses dois grupos, com início previsto para 15 de abril.

A Bahia adiantou a vacinação de pessoas com doença crônica renal em tratamento de hemodiálise.

“Essa decisão foi tomada considerando a situação epidemiológica, a taxa de ocupação de leitos de UTI [Unidade de Terapia Intensiva] e o caráter permanente de exposição deste público”, disse o governo.

A epidemiologista Carla Domingues, que esteve à frente do PNI (Programa Nacional de Imunizações) por oito anos (2011-2019), disse que as mudanças feitas pelos estados desarticulam o processo de vacinação e a comunicação com a população.

Domingues afirmou que não é contra adiantar a vacinação de professores e das forças de segurança, mas que isso precisa ser algo decidido nacionalmente.

“Teria que ter um consenso nacional. Cada local tomando uma decisão, vai ficar difícil controlar a demanda social por vacina.”

Segundo ela, a mudança sendo feita diretamente pelos estados pode trazer desorganização na vacinação, confusão da população e a ida de pessoas a estados que já estiverem aplicando a vacina na categoria a que ela pertence.

Fonte folha.uol.com.br/equilibrioesaude

5 hidratantes caseiros para o corpo e como preparar

Os hidratantes caseiros para o corpo são uma forma de manter a pele mais macia e hidratada, isso porque os ingredientes utilizados possuem vitaminas e óleos que penetram na pele mantendo sua umidade e suavidade, sendo uma boa opção para hidratar peles secas ou ressecadas. Além disso, esses hidratantes podem ser utilizados para auxiliar no tratamento da pele muito seca em pessoas com eczema, psoríase ou dermatite, por terem ação calmante e anti-inflamatória.

Para que esses hidratantes tenham o efeito desejado, é recomendado que sejam utilizados após o banho com água morna e sabonete neutro para limpar e abrir os poros, permitindo que o hidratante penetre melhor na pele ou pode-se fazer uma esfoliação no corpo antes de usar o hidratante caseiro para remover as células mortas e preparar a pele para a hidratação. Saiba como fazer uma esfoliação do corpo

Antes de utilizar o hidratante caseiro no corpo, é importante fazer um teste passando um pouco do hidratante no dorso da mão para saber se tem alergia. Se a pele ficar vermelha ou irritada, não é recomendado o uso do hidratante caseiro. 

Algumas opções de hidratantes caseiros para o corpo são:

1. Hidratante de côco, aveia e leite

5 hidratantes caseiros para o corpo e como preparar

O hidratante caseiro de coco, aveia e leite é uma ótima solução para hidratar a pele seca e extra seca, deixando-a mais bonita e macia. 

O côco promove a hidratação da pele e, por isso, é um ótimo ingrediente para ser utilizado em cremes para o tratamento da pele seca. Além disso, quando associado à aveia, é possível nutrir e proteger a pele pois a aveia tem propriedades que ajudam na renovação das células de pele, contribuindo para uma pele lisa, macia e nutrida.

Ingredientes

  • 1 xícara de coco ralado;
  • ​1 colher de farelo de aveia;
  • 1 copo de leite morno.

Modo de preparo

Bater todos os ingredientes no liquidificador até virar um creme uniforme e passar em todas as áreas em que a pele esteja seca. Deixar agir por 15 minutos e enxaguar a seguir com água morna. Este hidratante por conter leite, deve ser preparado imediatamente antes de usar e não deve ser guardado para usar futuramente.

2. Hidratante de óleo de amêndoas e lavanda

5 hidratantes caseiros para o corpo e como preparar

Esta receita de hidratante caseiro de óleo de amêndoas e lavanda é uma ótima opção de hidratante caseiro para pele seca e ressecada pois tem propriedades umectantes, mantendo o equilíbrio, a umidade e a hidratação profunda da pele. Confira outros benefícios do óleo de amêndoas.

Além disso, devido a lavanda na sua composição, esse hidratante caseiro ajuda a melhorar a coceira, a vermelhidão e a descamação da pele muito seca, podendo ser usado para pessoas com eczema ou psoríase.

Ingredientes

  • 2 colheres de sopa de cera de abelha;
  • ¼ xícara de manteiga de cacau;
  • 5 gotas de óleo de amêndoas;
  • 5 gotas de óleo essencial de lavanda;
  • Água filtrada para dar o ponto de creme.

Modo de preparo

Aquecer a cera de abelha e a manteiga de cacau em banho maria. Em seguida, despejar no liquidificador e deixar esfriar. Bater no liquidificador adicionando a água aos poucos até formar uma mistura com consistência de creme. Adicionar o óleo de amêndoas e o óleo essencial de lavanda e mexer para incorporar os óleos ao creme. Colocar o hidratante pronto em um frasco de vidro limpo e seco. Esse hidratante pode ser usado 2 a 3 vezes por semana.

Por conter óleo essencial de lavanda, esse hidratante caseiro só deve ser usado por mulheres grávidas, se o médico permitir o uso. Além disso, não deve ser usado por crianças. 

3. Creme de óleo de côco, gerânio e vitamina E

5 hidratantes caseiros para o corpo e como preparar

O creme caseiro de óleo de côco, gerânio e vitamina E é outra ótima opção de hidratante caseiro para pele seca a extra seca, pois aumenta a umidade e a hidratação da pele, mantendo-a macia e suave. Confira outros benefícios do óleo de côco para a saúde

Além disso, o óleo de vitamina E tem ação antioxidante evitando danos de radicais livres na pele, podendo ser usado para pele seca ou muito secas, nos cotovelos ou no calcanhar. Já o óleo essencial de gerânio reduz a irritação da pele ressecada por ter propriedades anti-inflamatórias e calmantes, podendo ser usado para auxiliar no tratamento de dermatite, eczema, acne e rosácea.

Ingredientes

  • ½ xícara de óleo de amêndoas ou óleo de jojoba;
  • ¼ xícara de óleo de coco;
  • ¼ xícara de cera de abelha;
  • 2 colheres de sopa de manteiga de karité;
  • 1 colher de chá de óleo de vitamina E;
  • 5 gotas de óleo essencial de gerânio;
  • 2 a 3 gotas de extrato de baunilha.

Modo de preparo

Aquecer em banho maria o óleo de amêndoas ou óleo de jojoba, óleo de côco, a cera de abelha e a manteiga de karité ou manteiga de cacau, mexendo até que derretam. Aguardar esfriar e adicionar o óleo de vitamina E, o óleo essencial de gerânio e o extrato de baunilha. Colocar o hidratante caseiro em um frasco de vidro limpo e seco e anotar a data de preparo. Este hidratante caseiro é válido por aproximadamente 6 meses, armazenado em geladeira, e pode ser usado diariamente no corpo.

4. Hidratante de óleo de palmarosa

5 hidratantes caseiros para o corpo e como preparar

O hidratante caseiro de palmarosa ajuda a equilibrar a oleosidade da pele, promovendo a hidratação da pele danificada e seca deixando a pele tonificada, hidratada e saudável.

Além disso, esse hidratante caseiro é uma ótima opção para auxiliar no tratamento de dermatite, psoríase, eczema, úlceras de pressão, também chamadas de escaras, e acne. Saiba outra opções de hidratação para pele seca e com acne.

Ingredientes

  • 100 g de vaselina sólida;
  • 3 gotas do óleo essencial de palmarosa.

Modo de preparo

Misturar os ingredientes e aplicar nas regiões em que a pele está mais ressecada como cotovelos, mãos ou pés, 1 vez ao dia.

5. Hidratante de óleo de laranja

5 hidratantes caseiros para o corpo e como preparar

O hidratante caseiro de óleo de laranja é outra ótima opção de hidratante para o corpo, especialmente para pele seca ou extra seca, pois ajuda a umectar a pele, suavizando e mantendo sua hidratação da pele, podendo ser usado em regiões do corpo em que a pele se encontra mais ressecada como cotovelos, joelhos ou pés. 

Ingredientes

  • ¼ xícara de óleo de coco;
  • ¼ xícara de manteiga de cacau;
  • 3 gotas de óleo essencial de laranja.

Modo de preparo

Aquecer em banho maria o óleo de côco e a manteiga de cacau. Deixar esfriar, acrescentar o óleo essencial de laranja e passar na pele ressecada diariamente.

Fonte tuasaude.com

Coronavírus na gravidez: sintomas, possíveis riscos e como se proteger

A infecção por coronavírus na gravidez pode acontecer em qualquer semana de gestação e, normalmente, provoca o desenvolvimento de sintomas leves como febre, mal estar geral e tosse, sendo muito semelhante a uma gripe.

No entanto, mulheres grávidas mais velhas, que sofrem de obesidade, que possuem outras doenças como diabetes ou hipertensão, ou que ficam infectadas após as 28 semanas de gravidez parecem ter maior risco de desenvolver sintomas graves, como dificuldade para respirar e confusão, o que poderá também aumentar o risco de complicações para a gestação.

Assim, é recomendado que a mulher adote medidas de proteção contra o coronavírus, como lavar as mãos regularmente, usar máscara e manter o distanciamento social. Confira as principais formas de se proteger do coronavírus.

Coronavírus na gravidez: sintomas, possíveis riscos e como se proteger

Principais sintomas

A maioria das gestantes com COVID-19 não desenvolve sinais e sintomas de infecção. No entanto, no caso de haver sintomas, é comum que sejam semelhantes aos da gripe:

  • Febre;
  • Tosse constante;
  • Dor muscular;
  • Perda do olfato e do paladar;
  • Diarreia;
  • Mal estar geral.

Os sintomas mais graves de COVID-19, como dificuldade para respirar, dor no peito e confusão mental, por exemplo, são mais raros de acontecer, no entanto há maior probabilidade de surgirem em mulheres que já estão no terceiro trimestre de gestação, além de haver maior chance de complicações.

Assim, na presença de sinais e sintomas da COVID-19, principalmente se a mulher estiver tiver mais de 28 semanas de gravidez, é importante que vá ao hospital para que sejam tomadas as medidas necessárias para prevenir a progressão da doença. Saiba identificar os sintomas de COVID-19.

Possíveis riscos para a gravidez

A maioria dos casos de COVID-19 na gravidez não leva ao desenvolvimento de complicações, sendo normalmente casos leves da doença. No entanto, mulheres que foram infectadas pelo novo coronavírus no terceiro trimestre de gravidez podem apresentar sintomas mais graves, além de terem maior risco de parto prematuro e maior tendência à formação de coágulos.

De acordo com um estudo feito nos Estados Unidos [1], é possível que o novo coronavírus cause a formação de coágulos na placenta, que parecem reduzir a quantidade de sangue que é transportada até ao bebê. Ainda assim, o desenvolvimento do bebê não parece ser afetado, sendo que a maioria dos bebês que nasceram de mães com COVID-19 apresentaram peso e desenvolvimento normal para a idade gestacional.

O vírus passa para o bebê?

Os primeiros estudos feitos sobre a transmissão do coronavírus da mãe para o feto mostraram que o vírus não estava presente no líquido amniótico, na garganta do bebê, nem no leite materno. Além disso, nenhum dos bebês nascidos de mães com COVID-19 apresentava infecção pelo novo coronavírus, o que comprovou a teoria de que o vírus não era facilmente transmitido da mãe para o bebê [2, 3].

No entanto, devido a um crescente aumento de casos suspeitos de COVID-19 em bebês logo após o nascimento, foram necessários novos estudos para confirmar se realmente era possível transmitir o coronavírus durante a gestação.

Esses estudos mostraram que o coronavírus pode, de fato, ser transmitido da mãe para o feto durante a gravidez, pois 3 mulheres infectadas com COVID-19 tiveram bebês com resultados positivos logo após o nascimento, além disso, o coronavírus foi identificado na placenta de uma dessas mulheres, o que indica que o novo coronavírus pode ser transmitido no útero [5, 6].

Embora esses estudos mostrem que o coronavírus pode ser transmitido da mãe para o feto, ainda são casos muito raros e, por isso, são precisos mais estudos para identificar como essa transmissão acontece e quais os fatores de risco que aumentam a possibilidade de transmitir o vírus para o bebê. Assim, o ideal é que, durante a gestação, a mulher tenha todos os cuidados para evitar a infecção por COVID-19, como lavar as mãos com frequência e usar máscara, por exemplo.

Mulheres com COVID-19 podem amamentar?

Segundo a OMS [4] e os alguns estudos feitos com grávidas [2, 3], o risco de passar a infecção pelo novo coronavírus para o bebê parece ser muito baixo e, por isso, é aconselhado que a mulher amamente caso se sinta em boas condições de saúde e o deseje.

É apenas recomendado que a mulher tenha alguns cuidados na hora de amamentar para proteger o bebê de outras vias de transmissão, como lavar as mãos antes de amamentar e utilizar máscara durante a amamentação.

Como evitar pegar COVID-19 durante a gravidez

Apesar dos sintomas na gravidez não serem graves e de haver baixo risco de transmissão do vírus da mãe para o bebê durante a gravidez, parto ou aleitamento, é importante que a mulher reforce as medidas preventivas da infecção, principalmente se estiver no terceiro trimestre de gravidez. Dessa forma, é recomendado:

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabão por cerca de 20 segundos;
  • Evitar tocar nos olhos, boca e nariz;
  • Evitar ficar em um ambiente com muitas pessoas e com pouca circulação de ar;
  • Beber bastante água e se manter ativa, pois assim é possível diminuir o risco de formação de coágulos;
  • Usar máscaras apropriadas;
  • Ter uma alimentação equilibrada e suplementação de vitamina D e ácido fólico, caso tenha sido recomendado.

Além disso, é importante que as consultas de rotina com o obstetra sejam mantidas, pois assim é possível acompanhar o desenvolvimento do bebê e garantir que está acontecendo de forma saudável.

Saiba mais sobre o que fazer contra o novo coronavírus no vídeo a seguir:

Fonte tuasaude.com

Brasil registra novo recorde na média móvel com 2.598 mortes diárias por Covid

O Brasil voltou a bater recorde na média móvel de mortes por Covid neste domingo: 2.598. É o maior número desde o início da pandemia e um crescimento de 42% se comparado com a última semana, o que indica tendência de alta nos óbitos pela doença, que vem sendo puxada, principalmente, pelo Sudeste e Centro Oeste.

A média móvel é um instrumento estatístico para amenizar grandes variações de dados, como as que ocorrem aos finais de semana e feriados. Ela é calculada pela soma das mortes dos últimos sete dias e divisão por sete.

Até então, a média recorde anterior era de 2.548 mortes por dia, registrada neste sábado (27).

Os dados são os aferidos pelo consórcio de veículos de imprensa integrado por Folha, UOL, G1, O Estado de S. Paulo, Extra e O Globo e coletados até as 20h com as secretarias de saúde dos estados. ​

Nesta sexta (26), o país bateu o recorde de mortes em um único dia, com 3.600 óbitos. Mas, apesar de a situação ser gravíssima, ao menos parte desse elevado número de mortes registradas se deve a um represamento de dados que ocorreu durante a semana.

Nas últimas 24h, o Brasil registrou 1.605 mortes por Covid, além de 43.402 novas infecções. Assim, o país chega a 312.299 óbitos e a 12.532.634 casos da doença desde o início da pandemia.

Até terça-feira (23), o país completava 25 dias seguidos de valores máximos da média móvel. A sequência foi quebrada justamente no dia em que o Ministério da Saúde mudou a forma de registro das mortes, o que provocou dificuldade na documentação por alguns estados e fez o número de óbitos cair artificialmente. A medida gerou críticas, que levaram a pasta a suspender a mudança.

Ainda assim, o país completa 67 dias com média móvel de mortes acima de 1.000; 20 dias com o índice acima de 1.500 e 12 dias com média acima dos 2.000 mortos.

Antes de acabar, março de 2021 já é de longe do mês mais letal da pandemia, com mais de 56 mil óbitos. Antes, o maior número de mortes em um mês por Covid havia sido visto em julho de 2020, quando quase 33 mil pessoas perderam a vida para a doença.

VACINA

O consórcio de imprensa também atualizou as informações repassadas sobre a vacinação contra a Covid por 16 estados.

Já foram aplicadas no total 20.171.365 doses de vacina (15.476.005 da primeira dose e 4.695.360 da segunda dose), de acordo com as informações disponibilizadas pelas secretarias de Saúde.

Isso significa que somente 7,31% dos brasileiros maiores de 18 anos tomaram a primeira dose e só 2,22%, a segunda.

Nas últimas 24 horas, 227.158 pessoas tomaram a primeira dose da vacina e 16.365, a segunda.

A iniciativa do consórcio de veículos de imprensa ocorreu em resposta às atitudes do governo Jair Bolsonaro (sem partido), que ameaçou sonegar dados, atrasou boletins sobre a doença e tirou informações do ar, com a interrupção da divulgação dos totais de casos e mortes. Além disso, o governo divulgou dados conflitantes.​​​​​​

Fonte folha.uol.com.br/equilibrioesaude

Saúde desviou 2 milhões de comprimidos de cloroquina para Covid, e programa de malária ficou sem estoque

O Ministério da Saúde desviou para Covid 2 milhões de 3 milhões de comprimidos de cloroquina fabricados pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) para o combate à malária. O desvio de função do medicamento deixou descoberto o programa nacional de controle da malária, com risco de desabastecimento da droga para esses pacientes a partir deste mês de março.

Novos documentos obtidos pela Folha revelam que o ministério precisou, em caráter urgente, garantir mais 750 mil comprimidos de cloroquina, por meio de aditivo a uma parceria firmada com a Fiocruz.

O aditamento foi proposto em novembro e assinado em dezembro. Em janeiro, a Fiocruz entregou a cloroquina adicional para não deixar o programa de malária sem a droga. O total é suficiente para quatro meses.

Toda a parceria –viabilizada por meio de um TED (termo de execução descentralizada), o de número 10/2020– foi bancada com dinheiro do SUS. Os gastos somaram R$ 258.750,00.

Em janeiro, uma auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) concluiu que o uso de dinheiro do SUS na distribuição de cloroquina a pacientes com Covid-19 é ilegal.

Segundo o tribunal, o fornecimento pelo SUS de medicamentos para uso “off label”, fora do previsto na bula, só pode ocorrer se houver autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A Anvisa já confirmou que não concedeu essa autorização.

Por meio da Lei de Acesso à Informação, a Folha obteve uma cópia de todo o processo do TED 10/2020. Os documentos comprovam o desvio da cloroquina para pacientes com Covid-19.

O medicamento é o carro-chefe do presidente Jair Bolsonaro no combate à pandemia desde o início da crise sanitária, há mais de um ano. Pesquisas científicas mostraram que a droga não tem eficácia para Covid-19.

A parceria entre Ministério da Saúde e Fiocruz (vinculada à pasta) para produção de difosfato de cloroquina 150 mg existe há quase 20 anos, sempre destinada a malária. O plano de trabalho do termo descentralizado referente ao período de março de 2020 a março de 2021 cita ainda outras doenças: amebíase hepática, artrite reumatoide, lúpus, sarcaidose e doenças de fotossensibilidade.

Por ano, o Brasil tem 194 mil casos de malária, dos quais 193 mil (99,5%) ocorrem na região amazônica. As informações estão presentes na justificativa da parceria entre ministério e Fiocruz, que aponta a cloroquina como uma droga com efeito contra o ataque agudo da doença. O programa orçamentário a que se refere o TED é o de assistência farmacêutica no SUS.

O relatório da entrega da cloroquina, feita em 26 de março, com armazenamento no almoxarifado do ministério no dia seguinte, já mostra o desvio da função do medicamento. Ao programa “Covid-19” foram destinados 2.008.500 comprimidos. Ao programa “Malária”, 991.500.

Quase oito meses depois, diante da política de distribuição de cloroquina a todas as regiões brasileiras, o Ministério da Saúde se viu sob risco de não ter o medicamento para malária e decidiu procurar a Fiocruz para aditar a parceria existente.

Em 9 de novembro, a Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde enviou um ofício à direção de Farmanguinhos, responsável pela produção de medicamentos e vacinas na Fiocruz, propondo um aditivo ao TED 10/2020. A necessidade era de mais 750 mil comprimidos até janeiro.

“Como é de conhecimento de Farmanguinhos, com o advento da pandemia pela Covid-19, esse medicamento passou a ser disponibilizado também para o tratamento dessa virose, o que elevou o seu consumo, especialmente no primeiro semestre. Com isso, o estoque atualmente disponível garante a cobertura do programa de malária apenas até meados de 2021”, informou o ofício.

Uma nota técnica da mesma secretaria apontou, em vermelho, que a necessidade do aditivo era “urgente”. O documento citou que, com a pandemia, a cloroquina foi apontada pelo Ministério da Saúde como um dos medicamentos que constam do manual de orientações para o “manuseio medicamentoso precoce de pacientes com diagnóstico da Covid-19”.

“Houve aumento no consumo deste medicamento, pois o estoque existente passou a ser distribuído para o tratamento da Covid-19 e da malária no âmbito do SUS”, informou a nota técnica.

Naquele momento, no começo de novembro, havia estoque nos estados até dezembro. No almoxarifado do ministério, havia 259 mil comprimidos. E estados e capitais remanejaram outros 277,3 mil comprimidos.

Assim, conforme a nota técnica, a estimativa de cobertura de cloroquina para malária alcançava apenas março de 2021. Eram necessários mais 750 mil comprimidos, suficientes para mais quatro meses.

No segundo semestre de 2020, segundo o mesmo documento, o ministério passou a priorizar, para Covid-19, a hidroxicloroquina recebida como doação do governo dos Estados Unidos. Mesmo assim, o estoque de cloroquina 150 mg para malária já estava comprometido.

O aditivo se fazia necessário porque um novo processo de compra de cloroquina da Fiocruz, com o emprego de recursos públicos destravados pela MP (medida provisória) nº 940/2020, ainda estava “em andamento”, conforme a nota técnica.

O secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Helio Angotti Neto, concordou com o aditivo “urgente” (palavra escrita em vermelho nos documentos) ainda em novembro.

Ministério da Saúde e Fiocruz assinaram o aditivo no penúltimo dia de 2020. Os 750 mil comprimidos foram recebidos no almoxarifado da pasta em 14 de janeiro, numa remessa única. O destino deve ser o programa de combate à malária, como consta nos documentos.

Em 10 de fevereiro, uma reportagem da Folha mostrou que documentos do Ministério da Saúde registravam o uso de dinheiro da MP nº 940/2020, voltada a ações emergenciais contra a Covid-19, na produção de cloroquina pela Fiocruz.

Uma nova reportagem, no dia seguinte, revelou a existência de outro documento da pasta, que apontava a distribuição de cloroquina para malária, fabricada pela Fiocruz, a pacientes com Covid-19. O documento, porém, não dava detalhes sobre o TED feito nem sobre o comprometimento do programa de combate à malária.

Tanto o ministério quanto a Fiocruz afirmaram, após a publicação das reportagens em fevereiro, que não havia uso de cloroquina da malária para Covid-19. “O termo e o aditivo não têm qualquer relação com a MP nº 940 ou com o tratamento de pacientes de Covid-19”, chegou a dizer, em nota, a Fiocruz.

A política de distribuição massiva de cloroquina pelo governo Bolsonaro incluiu a hidroxicloroquina doada pelos Estados Unidos no governo de Donald Trump –a doação foi de 3.016.000 comprimidos– e a cloroquina fabricada pelo Laboratório Químico Farmacêutico do Exército– a produção foi de 3,2 milhões de comprimidos.

Em nota, o Ministério da Saúde disse ter garantido o estoque de cloroquina para malária, sem prejuízos ou interrupções do atendimento durante a pandemia. O novo fornecimento da Fiocruz, de 750 mil comprimidos, será destinado a casos da doença, conforme demanda dos estados, afirmou. “Toda e qualquer auditoria dos órgãos de controle será devidamente respondida nos autos do processo.”

Também em nota, a Fiocruz disse que não cabe a ela assegurar o uso final do medicamento produzido em Farmanguinhos. Segundo a instituição, a recomendação de qualquer droga precisa de “evidências e bases científicas sólidas” sobre benefícios no enfrentamento à Covid-19.

A cloroquina é produzida com as indicações de uso descritas na bula e aprovadas pela Anvisa, conforme a Fiocruz. “O monitoramento dos dados epidemiológicos de malária no Brasil são de responsabilidade do Ministério da Saúde. Caso o programa verifique a necessidade de abastecimento adicional, encaminha solicitação de aditivo para execução em Farmanguinhos.”

Fonte folha.uol.com.br/equilibrioesaude

Funcionários da Saúde de SP, incluindo jovens, têm prioridade em vacinação contra Covid

Pelo menos 450 funcionários públicos ligados à Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo, muitos deles na faixa dos 20 a 30 anos, foram vacinados contra a Covid-19 a partir de 17 de fevereiro, passando na frente de grupos prioritários como idosos e profissionais de saúde.

Segundo listas de centenas de nomes obtidas pela Folha, a maioria dos servidores que furou a fila da vacinação trabalha em setores administrativos (muitos deles em home office), sem nenhum contato com o público ou exposição a hospitais e postos de saúde.

Profissionais na faixa dos 25 a 30 anos, das áreas financeira, de contratos, administrativa e planejamento receberam a primeira vacina contra a Covid-19 entre os dias 17 e 25 de fevereiro. Ao menos 70 funcionários ligados ao gabinete do secretário Jean Gorinchteyn e a assessorias foram vacinados em fevereiro.

Pouco mais de 40% das pessoas da lista nasceu no ano de 1970 em diante; muitos servidores são das décadas de 1980 e 1990 e até dos anos 2000.

Pessoas como D.M.D.S. (iniciais trocadas para proteger a privacidade do funcionário), de 39 anos, que trabalha no setor financeiro da secretaria; L.M., 26, do planejamento, M.C.L., 25, que dá expediente administrativo, foram vacinadas no fim de fevereiro.

Segundo a orientação da Secretaria Municipal de Saúde, profissionais que trabalham em diferentes divisões da pasta e que incluem tanto os que atuam na área da saúde como os do setores administrativos podiam se vacinar a partir de 17 de fevereiro.

A vacinação não infringiu as regras. No entanto, levou centenas de pessoas abaixo dos 40 anos, sem nenhuma exposição ao público ou áreas médicas, a serem vacinadas antes de grupos prioritários.

O esquema de vacinação foi distribuído em duas unidades: a UBS Jardim Vera Cruz, em Perdizes, e na avenida Doutor Arnaldo, 925, no prédio onde funciona o Centro de Saúde Escola Geraldo de Paula Souza, da Faculdade de Saúde Pública da USP, no Sumaré (ambos na zona oeste), conveniado com a Prefeitura de São Paulo.

Na quinta-feira (25), a reportagem esteve nas duas unidades e, sem se identificar, conversou com funcionárias.

A primeira dose da vacina é aplicada na UBS Jardim Vera Cruz. É a Secretaria de Estado da Saúde que separa os servidores por dia de vacinação.

A reportagem da Folha questionou uma funcionária sobre o local onde era realizada a imunização do pessoal da secretaria estadual da Saúde contra a Covid-19. A servidora perguntou para a colega ao lado: “tem uma lista aí, não tem, do pessoal da secretaria?”. “Sim, está aqui”, disse a moça, que segurava a relação na mão.

Informada de que a repórter voltaria no dia seguinte, a funcionária afirmou: “Se o seu nome estiver aqui hoje, amanhã pode não estar. Não é isso? [dirigindo-se à outra servidora]. Eles mandam todo dia uma lista. São determinadas pessoas que podem vir naquele dia”, afirmou.

Com o nome na lista, o trâmite é o mesmo do que é seguido pelas demais pessoas que estão nos grupos prioritários por faixa etária, ou seja, pegar uma senha e aguardar ser chamado.

Na outra unidade, é aplicada apenas a segunda dose da vacina contra a Covid-19. Indagada se o posto era específico da secretaria e se a repórter poderia levar alguém, a funcionária afirmou: “Se for da secretaria, sim”, disse a servidora. O local também vacina profissionais da saúde.

Em nenhum dos dois postos houve questionamento sobre o fato de a repórter, que tem 49 anos, não pertencer às faixas etárias priorizadas para a imunização. Na sexta (26), a capital paulista começou a vacinar o público entre 69 e 71 anos.

Enquanto isso, uma policlínica privada na zona norte da cidade de são Paulo não consegue vacinar 14 funcionários da equipe que presta os primeiros atendimentos aos pacientes que chegam lá, inclusive com sintomas de Covid-19.

Uma parte dos 54 médicos que atuam no local também não conseguiu se vacinar por não estar contemplada em grupo prioritário. O local realiza cerca de 7.000 atendimentos por mês.

Uma das funcionárias, que pediu para não ter o seu nome e o da clínica revelados, disse que buscou orientação na Secretaria Municipal da Saúde.

“Eles disseram que não fazemos parte da categoria e orientaram a acompanhar o site da secretaria e as datas de vacinação. Fomos diversas vezes na UBS da avenida Nova Cantareira e nos barraram. Disseram que não estamos no perfil e devemos aguardar. Dos 14 funcionários, dois receberam resultado positivo para Covid-19 e foram afastados. Desde março [de 2020] não deixamos um dia de atender pacientes e a justificativa é que não fazemos parte do grupo? Não conseguimos entender o critério”, afirmou.

“Na rede privada, jovens profissionais multidisciplinares que lidam direto com pacientes, como médicos, enfermeiros e demais ligados à assistência, não foram vacinados e continuam no atendimento a pacientes, independentemente de ser Covid-19 ou não. Eles não são prioritários. Se eles não têm o direito de serem vacinados, um funcionário administrativo de órgão público também não deveria ter. Como se explica? Qual o critério adotado pela secretaria?”, questiona Domingos Costa Hernandez Júnior, médico especialista em gestão de serviços públicos de saúde pela Fundação Getúlio Vargas.

A princípio, a secretaria de Saúde afirmou que não poderia dizer quais funcionários são vacinados, porque cada um vai de forma autônoma. Depois, informada sobre as listas na UBS, mudou a versão.

Em nota, a secretaria afirmou que “os colaboradores que atuam na Secretaria de Estado da Saúde podem ser imunizados contra Covid-19 por integrarem o grupo prioritário de trabalhadores da saúde, segundo definido pelo PNI (Programa Nacional de Imunizações)”.

A assessoria de imprensa informou que foram vacinados 1.992 profissionais até o momento, sendo que os colaboradores do Instituto Adolfo Lutz e dos centros de vigilância epidemiológica e sanitária estaduais, diretamente expostos a situações de risco, foram priorizados conforme documentos técnicos.

“A reportagem equivoca-se ao afirmar que ‘não se expõem à doença nem ao público’, uma vez que tais colaboradores mantêm contato contínuo e direto com equipes da linha de frente nas suas tarefas cotidianas.”

Nas listagens obtidas pela Folha, no entanto, há centenas de funcionários com funções administrativas, muitos em home office.

“É desolador ter que escrever uma matéria sobre este assunto”, diz o sanitarista e professor de saúde pública da USP Gonzalo Vecina Neto. “Não tem cabimento. Os funcionários [administrativos] da Secretaria da Saúde não se encontram com pacientes, porque não estão na linha de frente. Não pode ter dúvida sobre quem vacinar. Além do mais, apesar de atenderem a população diferenciada, o funcionário da área privada tem o mesmo direito da público”.

O especialista lamenta a falta de coordenação federal. “Não tenho dúvida de que é um exemplo da balbúrdia. Se tivéssemos a comissão de assessoria do PNI [Programa Nacional de Imunização] funcionando, as regras teriam sido mais claras. Essas coisas são frutos de má informação e um pouco de má vontade também. O projeto de vacinação foi desenhado mal e porcamente, porque não tinha comissão de apoio, porque o Bolsonaro extinguiu as comissões. O pessoal do Ministério da Saúde copiou o que foi feito no hemisfério Norte e, com as realidades diferentes no país, deu essa confusão”, afirma.

Em Minas Gerais, esquema semelhante levou à demissão do secretário de Saúde. O governador Romeu Zema (Novo) afastou, em 11 de março, o secretário Carlos Eduardo Amaral, acusado de ter furado a fila da vacinação contra a Covid-19.

Amaral admitiu que ele e outros 806 servidores de sua pasta haviam sido vacinados, mas negou que o ato representasse uma ilegalidade.

Só de seu gabinete 27 pessoas foram vacinadas, entre elas o secretário-adjunto, Marcelo Cabral; de áreas como assessorias, controladoria, comunicação e cerimonial, entre outros, 38 pessoas receberam os imunizantes. A lista com nomes foi encaminhada à Assembleia mas não foi divulgada publicamente, de acordo com Amaral, devido à Lei Geral de Proteção de Dados.

Amaral afirmou que a vacinação ocorreu depois que 70% das doses voltadas a profissionais de saúde já haviam sido encaminhadas. Ele reafirmou ainda que a vacinação desses trabalhadores seguiu o que foi acordado em 9 de fevereiro entre gestores municipais e estaduais, na CIB (Comissão Intergestores Bipartite do SUS de MG), seguindo o PNI.

Fonte folha.uol.com.br/equilibrioesaude

Só em 2021, morte de jovens por Covid equivale a 13 boates Kiss; por que as festas continuam?

Só em 2021, as mortes por Covid-19 de quem tinha entre 20 e 39 anos equivaleram a 13 incêndios na boate Kiss, a tragédia gaúcha que matou 242 pessoas em 2013.

Nada que desestimule jovens a agirem como Sarah Andrade, 29, agiu antes de voluntariamente ir para um confinamento.

A consultora de marketing correu para o banheiro e se agachou para atender o celular. Estava numa festa na alagoana Barra de São Miguel quando alguém da equipe do Big Brother Brasil ligou para avisar que ela teria de fazer um exame de Covid antes de entrar no reality show.

“Eu disse: ‘Claro, com certeza’. Mas tava bêbada!”, Sarah contou na semana passada, já na quarentena televisionada, disposta a entreter os colegas. As redes sociais viram pouca graça no descaso com o protocolo sanitário que tenta conter uma pandemia que já matou mais de 300 mil pessoas no Brasil.

Seu comportamento, contudo, não destoa do de tantos que aglomeram em eventos como se UTIs lotadas fossem uma ficção da TV. Que não se enganem: pessoas mais jovens estão adoecendo mais, e morrendo mais também.

Peguemos a faixa etária de 20 a 39 anos. Eis os dados que o Ministério da Saúde disponibilizou para as dez primeiras semanas do ano.

Até 20 de março, 27.265 desses brasileiros foram hospitalizados com Covid (12,5% do total de casos) e 3.166 morreram (5%). Uma média de 40 vítimas por dia.

Pesquisador em saúde pública da Fiocruz, Raphael Guimarães diz que ainda não há evidências de que os quadros mais severos entre os mais novos tenham relação com uma variante mais agressiva do vírus. Há estudos em curso para verificar essa hipótese, mas uma coisa lhe parece certa.

“Eu apostaria que um número maior de jovens, independentemente da gravidade, se dá pela baixa adesão ao distanciamento. A verdade é que as pessoas querem acreditar no vírus, e não no mau comportamento dos grupos.”

A postura aparentemente kamikaze não surpreende Christian Dunker, psicanalista e professor do Instituto de Psicologia da USP. São “jovens cumprindo seu destino de serem jovens”.

Dunker prefere não falar em falta de noção e empatia de uma juventude transviada. “O que ela tem é a fantasia de ser especial. Talvez acalentada pelo bolsonarismo, pela ideia de ‘comigo não acontece'”, diz. “Como a gravidez adolescente. ‘Ah, sabia que não podia não usar camisinha, mas tinha o o sentimento de que comigo não ia acontecer’.”

O discurso da autoridade máxima de que não é necessário temer essa ‘gripezinha’ se casa com a fantasia de onipotência do jovem

Fernanda Hamann

Psicanalista

E há o autoengano. A gerente de TI Ana Souza, 36, diz que tomava todos os cuidados mas, “depois de um projeto no trabalho muito estressante”, achou que merecia viajar. Chamou duas colegas, “viagem de menina mesmo”.

Uma delas, contudo, estava infectada e não sabia. Ana começou a ter os sintomas clássicos, da perda de olfato e paladar à febre inclemente. Voltou para São Paulo, foi internada. Logo ela, que faz cross training e se alimenta “superbem”, chegou a ter 90% do pulmão comprometido.

Era de madrugada quando a avisaram que seria intubada. “‘Vou morrer, não quero morrer’, eu só repetia isso.” Os irmãos a convenceram numa chamada de vídeo.

No terceiro dia, a equipe médica ligou para a família dizendo que fez tudo o que podia. Ela acordou quatro dias depois e ganhou o apelido de Ana Fênix.

A professora de ioga Patricia Orlando, 26, não chegou a ser intubada, mas também passou por maus bocados. Acordou com dor de garganta e, no meio do dia, sentiu um cansaço como nunca antes. À noite, o quadro piorou. “Não tive falta de ar, tive dor no peito. Limpava o nariz e saía sangue na secreção.”

Só no décimo dia deu sinais de melhora. Até hoje, indaga-se sobre onde contraiu o vírus. “Não saía muito de casa, só estava vendo meus pais. Sábado teve churrasco de família que tinha seis pessoas e uma criança. Ela estava meio resfriadinha, mas não era Covid.”

Patricia conta que foi também a um terreiro de umbanda —um lugar amplo e aberto, com poucas pessoas e distância entre todos, segundo ela.

Especial?

O ser humano é o único animal ciente de que vai morrer um dia, ele e todas as pessoas que ama. É um “ser que caminha para a morte”, como sintetizou o filósofo alemão Martin Heidegger.

“O que Sigmund Freud percebeu, no entanto, é que existe uma tendência humana para recalcar essa consciência da morte”, diz a psicanalista Fernanda Hamann.

No caso dos jovens, é mais radical do que recalcar a finitude. “É uma negação. Estão no auge da sua potência corporal, muitas vezes têm fantasia de que são onipotentes.”

Daí ser comum que se coloquem em situações de risco, como fazer sexo sem proteção, se engajar em esportes radicais e abusar de álcool e drogas, afirma Hamann, coorganizadora do livro “Juventude e Saúde Mental: A Especificidade da Clínica com Adolescentes”.

Como Dunker, também Hamann acha que a oratória negacionista do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é um elemento nessa equação. “O discurso da autoridade máxima de que não é necessário temer essa ‘gripezinha’, ah, ‘deixa de mimimi’, se casa com a fantasia de onipotência do jovem. A maioria deduz que não é necessário temer.”

A estudante de contabilidade Deise Gouveia, 21, é adepta do “caiu, levanta”. Em dezembro de 2020, quando epidemiologistas alertavam sobre o risco das aglomerações de fim de ano, Deise bebeu muita cerveja numa festa com pagode da banda Di Propósito, no carioca Complexo do Alemão, onde ela mora.

Voltando bêbada para casa, já de manhã, tentou se apoiar numa porta, rolou escada abaixo e foi parar na sala de uma vizinha. Uma amiga gravou o tombo, que viralizou nas redes. Desde então, a “Deise do Tombo”, como ficou conhecida, é influenciadora digital com quase 600 mil seguidores no Instagram.

As fotos que ela posta mostram que sua vida social continua tinindo: Deise na piscina, Deise com amigas, Deise num jipe em Penedo (RJ), quase sempre sem máscara.

Ela conta que sai “normalmente para compromissos, mas com todos os cuidados possíveis, pois a Covid ainda está por aí”. E que não teria como ser diferente, diz. “Infelizmente tenho que correr atrás de uma renda para ajudar minha mãe em casa. Não só eu, bastante gente está nessa.”

Para Dunker, é preciso também considerar o contexto social em que muitos desses jovens vivem. Muitos têm o que ele define como “vida de sobrevivente”. O que são das favelas, por exemplo, muitas vezes já pegam transporte público lotado para trabalhar. Fora a violência cotidiana que os envolve.

“Cada vez que você escapa, confirma a tua armadura de Wolverine.” Invencíveis.

Fonte folha.uol.com.br/equilibrioesaude

8 exercícios para o nervo ciático e como fazer

Os exercícios para nervo ciático, como os exercícios de alongamento e fortalecimento, permitem aliviar a dor e a inflamação, melhorar os movimentos da perna e promover o fortalecimento dos músculos em volta do nervo ciático, e devem ser feitos sempre com a orientação de um fisioterapeuta pois é importante avaliar a dor e o tipo de limitação de cada pessoa.

O nervo ciático é o maior nervo do corpo e inicia-se na coluna lombar, passa pelos glúteos e parte posterior da coxa, se estendendo até os pés, e quando ocorre inflamação no ciático, a pessoa pode ter dor que se irradia para a perna, com sensação de formigamento ou queimação. 

É importante consultar o ortopedista sempre que apresentar dor no ciático para fazer o diagnóstico, identificar a causa da dor, e iniciar o tratamento mais indicado que pode ser com fisioterapia ou medicamentos prescritos pelo médico. Saiba como é feito o tratamento com medicamentos para dor no nervo ciático

Assista o vídeo com a fisioterapeuta Marcelle Pinheiro com exercícios de alongamento e fortalecimento para o nervo ciático:

Exercícios de alongamento para o nervo ciático

Os exercícios de alongamento para o nervo ciático ajudam a alongar a musculatura da região lombar, glúteos e coxa, como o bíceps femoral, piriforme e piramidal, aliviando a dor no nervo ciático. Esses alongamentos devem ser feitos com movimentos suaves, de forma que a pessoa se sinta confortável para não causar maior irritação do nervo ciático e piorar a dor, e podem ser feitos de uma a duas vezes ao dia.

1. Alongamento do bíceps femoral

8 exercícios para o nervo ciático e como fazer

O alongamento do bíceps femoral permite alongar o músculo localizado na parte de trás da coxa, e também alonga o glúteo e a lombar.

Como fazer: deitar de barriga para cima e dobrar os joelhos mantendo os pés no chão. Com a ajuda das mãos, trazer um joelho ao peito, mantendo essa posição por cerca de 30 segundos. Fazer o mesmo com a outra perna, mesmo que sentir dor em apenas uma das pernas.

2. Alongamento do piriforme

8 exercícios para o nervo ciático e como fazer

O alongamento do piriforme permite alongar o músculo piriforme, localizado na região glútea, permitindo diminuir a compressão no nervo ciático e aliviar a dor.

Como fazer: deitar no chão com a barriga para cima e dobrar os joelhos, mantendo os pés no chão. Cruzar uma perna sobre a outra. Com as duas mãos, segurar a perna que está apoiada no chão, puxando a perna em direção ao peito. Manter essa posição por 30 segundos e repetir com a outra perna. 

3. Alongamento do piramidal

8 exercícios para o nervo ciático e como fazer

O alongamento do piramidal permite alongar o músculo piramidal, localizado no abdômen, além do glúteo e da região lombar.

Como fazer: deitar no chão com a barriga para cima, com as pernas estendidas. Dobrar a perna direita e colocar a mão em volta do joelho. Puxar a perna suavemente para o lado esquerdo do corpo o máximo que conseguir, sem fazer esforço excessivo, pois deve-se sentir o alongamento sem dor. Manter essa posição por 30 segundos e voltar à posição inicial. Repetir o alongamento com a perna esquerda.  

4. Alongamento da coxa

8 exercícios para o nervo ciático e como fazer

O alongamento da coxa permite alongar o músculo da parte de trás da coxa, além da panturrilha e pé.

Como fazer: deitar de barriga para cima, colocar um cinto ou uma faixa elástica na base do pé e trazer a perna esticada o máximo possível em direção ao peito, mantendo essa posição durante cerca de 30 segundos e repetir o mesmo com a outra perna. 

Exercícios de fortalecimento para o ciático

Os exercícios de fortalecimento para o ciático tem como objetivo prevenir novos episódios de dor e inflamação no nervo ciático por fortalecer os músculos do core, como lombar, abdômen e glúteo, que dão sustentação à coluna e ao nervo ciático.

1. Contração do abdômen

8 exercícios para o nervo ciático e como fazer

O exercício de contração do abdômen trabalha a respiração e o fortalecimento dos músculos do abdômen.

Como fazer: deitar no chão de barriga para cima e dobrar as pernas, mantendo os pés no chão. Expirar o ar dos pulmões o máximo que conseguir, contraindo o abdômen como se tivesse levando o umbigo em direção às costas, mantendo esta contração por cerca de 10 segundos e depois relaxar completamente, inspirando lentamente. 

2. Ponte

8 exercícios para o nervo ciático e como fazer

Um bom exercício para o fortalecimento para prevenir a dor no ciático é a ponte, pois ajuda a estabilizar o core trabalhando os glúteos, a lombar e o abdômen. 

Como fazer: deitar de barriga para cima, com os braços alinhados com o corpo, dobrar os joelhos e apoiar os pés no chão com os calcanhares alinhados ao joelho. Contrair o abdômen e os glúteos e elevar o quadril do chão até que o corpo forme uma linha reta dos joelhos à cabeça. Manter essa posição por 5 a 10 segundos e abaixar o quadril lentamente de forma a colocar primeiro no chão a coluna dorsal, a lombar e o glúteo. Repetir esse movimento por 2 a 3 vezes. É importante expirar o ar ao elevar o quadril e inspirar quando quando retornar à posição inicial.

3. Almofada entre os joelhos

8 exercícios para o nervo ciático e como fazer

O exercício com a almofada entre os joelhos ajuda a fortalecer o abdômen e glúteos, além dos músculos internos da coxa.

Como fazer: deitar no chão com as pernas dobradas e os pés apoiados no chão. Colocar uma almofada ou um travesseiro entre os joelhos, mantendo a contração do abdômen e, ao mesmo tempo, apertar uma perna contra a outra, durante 5 segundos e soltar, repetir 3 vezes.

4. Elevação de pernas

8 exercícios para o nervo ciático e como fazer

A elevação de pernas é outra boa opção de exercício para fortalecimento do abdômen, lombar e glúteos.

Como fazer: deitar no chão com as pernas dobradas e pés apoiados no chão. Elevar uma perna em direção ao peito, fazendo um ângulo de 90º com o chão. Elevar a outra perna, mantendo as duas pernas dobradas durante 3 a 5 segundos e depois descer uma de cada vez. Descer uma perna de cada vez e repetir o exercício por 2 a 3 vezes.

Fonte tuasaude.com

Procuradoria investiga irregularidades em preços de máscaras compradas pelo Ministério da Saúde

O Ministério Público Federal investiga supostas irregularidades nos preços pagos pelo Ministério da Saúde em contratos para a compra de máscaras durante a pandemia. Entre as máscaras do tipo cirúrgico, principal modelo escolhido, a variação chegou a 116%. Um segundo modelo comprado, a KN95, custou até 783% a mais.

Todas as compras foram feitas com dispensa de licitação, em março e abril de 2020, já no contexto de pandemia e sob legislação especial vigente desde fevereiro, com permissão para dispensa de concorrência na aquisição de insumos diante da emergência na saúde pública.

Os seis contratos para compra de máscaras, assinados na gestão de Luiz Henrique Mandetta e defendidos nas gestões de Nelson Teich e Eduardo Pazuello, que as distribuíram, somaram R$ 765 milhões. Na pandemia, o governo de Jair Bolsonaro já tem um quarto ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

Em nota, o ministério afirmou que não houve questionamentos do MPF sobre os preços contratados e que foram comprados produtos distintos. As aquisições seguiram critérios como comprovação de aptidão para fornecimento e registro do produto pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), segundo a nota.

O procedimento do MPF em Brasília é o segundo que investiga atos do Ministério da Saúde relacionados à distribuição de máscaras na pandemia.

A Folha revelou no dia 17 que a pasta distribuiu máscaras impróprias a profissionais que estão na linha de frente de combate à Covid-19, conforme avaliação da Anvisa em documento elaborado em 13 de janeiro. A distribuição do material é investigada em inquérito civil instaurado em 3 de fevereiro.

Uma parte dessas máscaras foi interditada pela Anvisa, após a autoridade sanitária dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) suspender autorizações emergenciais diante da falta de eficiência mínima na filtragem de partículas. Outra parte foi escanteada pelos estados em razão da advertência “non-medical” nas embalagens. A máscara é do tipo KN95, fabricada na China.

Uma fatia desse material, com inscrição “non-medical” na embalagem, foi fornecida pela Global Base Development HK Limited, uma empresa de Hong Kong representada no Brasil pela 356 Distribuidora, Importadora e Exportadora. O dono da distribuidora, Freddy Rabbat, atua no mercado de relógio de luxos suíços.

O contrato foi o sexto assinado para a compra de máscaras pela pasta. Previu 200 milhões de máscaras do tipo cirúrgica descartável tripla, com três dobras, tira elástica, clipe nasal e “filtração de partículas mínimas de 95%”, e 40 milhões de KN95.

A primeira custou US$ 0,33, conforme o contrato assinado em 8 de abril. Pela cotação do dólar naquele dia, saiu por R$ 1,69. A segunda custou US$ 1,65, ou R$ 8,48. Todo o contrato saiu por R$ 679 milhões.

O MPF investiga as variações de valores nos contratos assinados pelo Ministério da Saúde. Todos eles tratam basicamente do mesmo tipo de máscara cirúrgica, mais a KN95.

A partir da análise das especificações contidas nos contratos, especialistas ouvidos pela Folha dizem que nenhuma dessas máscaras pode ser considerada um EPI (equipamento de proteção individual), destinado a profissionais de saúde.

O primeiro contrato foi assinado em 10 de março de 2020, para a compra de 500 mil máscaras cirúrgicas. A empresa BRT Medical forneceu o produto a um custo unitário de R$ 0,96.

No mesmo dia, o Ministério da Saúde assinou um contrato com a Farma Suply, para 1,5 milhão de máscaras semelhantes. O preço pago por produto foi de R$ 1,60. Oito dias depois, a empresa assinou mais um contrato com o ministério, para o fornecimento de 8 milhões de máscaras cirúrgicas. O preço cobrado, dessa vez, foi R$ 1,97 por peça.

Uma terceira empresa, a Descarpack Descartáveis, foi contratada para fornecer 13 milhões de máscaras. Nesse contrato, assinado em 12 de março, o custo individual saltou para R$ 2. No dia 27 do mesmo mês, a Aura Pharma fechou um contrato para entrega de 20 milhões de máscaras, a um custo individual de R$ 2,08.

Depois, em abril, foi a vez da empresa de Hong Kong, representada por uma distribuidora brasileira, fechar o contrato mais vultoso para a entrega de máscaras cirúrgicas e KN95.

“Máscaras cirúrgicas não são consideradas EPIs. KN95 não é similar à N95 dos EUA. N95 e PFF2 são as indicadas para quem tem contato direto com pacientes de Covid-19”, afirma Antônio Vladimir Vieira, químico, professor de especialização em saúde e segurança na USP (Universidade de São Paulo) e responsável por certificação de máscaras na Fundacentro por 32 anos.

“Por essas descrições [presentes nos contratos], nenhuma dessas máscaras pode ser considerada EPI. A KN95 tem limitações ao se prender na orelha, e falta de certificação. E as máscaras cirúrgicas são mais simples”, diz Vitor Mori, doutor em engenharia biomédica e integrante do Observatório Covid-19 Brasil.

O secretário-executivo do Ministério da Saúde na gestão Pazuello, coronel Élcio Franco, já foi oficiado quatro vezes pelo MPF para explicar as variações de preços nos contratos das máscaras.

O MPF tenta pelo menos desde outubro conseguir uma cópia integral dos processos de compras. Um novo ofício foi enviado à pasta na última segunda-feira (22).

Entre as explicações dadas até agora, o ministério afirmou que os preços oscilaram diante da “gigantesca demanda mundial” e do aumento das dificuldades nas negociações com fornecedores.

Um despacho de área técnica da pasta chegou a afirmar que o preço da KN95 não ficou abaixo da média praticada no mercado nos primeiros cinco meses de 2020. Pelos documentos entregues ao MPF, porém, não fica claro se o valor ficou dentro ou acima da média. É este tipo de informação que os procuradores da República tentam obter para avançar nas investigações.

Em nota, assinada pelos advogados Eduardo Diamantino e Fabio Tofic, a 356 Distribuidora afirmou que a Global Base foi selecionada conforme as exigências do edital e por apresentar menor preço e maior disponibilidade.

“O modelo KN95 é um produto de qualidade superior e completamente diferente das conhecidas máscaras descartáveis triplas. É equivalente a outros respiradores como N95. Os produtos similares à KN95 custam em média de cinco a sete vezes o preço de uma máscara tripla”, disse.

As máscaras têm certificação aceita internacionalmente, tiveram resultado de eficácia na retenção de 95% de partículas e jamais foram proibidas por qualquer ato normativo, conforme a nota. “Na China, onde o produto é fabricado, o termo ‘non-medical’ se refere a inadequação apenas para uso cirúrgico.”

A Descarpack Descartáveis afirmou, em nota, que o governo chinês optou por restringir a produção local de máscaras apenas para consumo interno, o que dificultou o acesso. Dólar alto, necessidade de frete aéreo e exigência de pagamento antecipado encareceram o material, segundo a empresa.

Os R$ 2 cobrados por peça se aproximam do custo de aquisição, R$ 1,75, disse. O produto fornecido atende aos requisitos do edital e tem registro na Anvisa, com testes periódicos sobre eficiência, cita a nota.

Também em nota, a Aura Pharma disse que a contratação foi feita no início da pandemia e que o Brasil não tinha capacidade produtiva, matéria-prima ou indústria preparada para a demanda. “Aproximadamente 95% dos EPIs são importados da China. O valor da máscara cirúrgica teve um aumento de mais de 2.000% da noite para o dia.”

Houve ainda alta dos custos de logística e risco de retenção de carga, conforme a empresa. Sobre a qualidade, a Aura Pharma disse que o próprio governo chinês inspecionou os produtos e divulgou empresas autorizadas por eles. “Nossas máscaras atendiam, em sua totalidade, às especificações do edital. Antes da importação, submetemos amostras ao ministério, que foram aprovadas.”

Os contatos fornecidos pela Farma Suply em seu site não funcionam. A reportagem deixou uma mensagem em rede social do proprietário, sem resposta.

Fonte folha.uol.com.br/equilibrioesaude